Oito arguidos, sete militares e um civil, detidos na operação "Húbris", foram hoje de manhã identificados por um juiz de Instrução Criminal em Lisboa, segundo a funcionária judicial.

A identificação dos detidos foi efetuada em grupos de quatro e o despacho de apresentação dos mesmos é composto por 178 páginas.

Está prevista uma pausa para almoço cerca das 12:30.

Fontes ligadas ao processo admitiram à Lusa a possibilidade de o coronel Luís Augusto Vieira, diretor da Polícia judiciaria militar e um dos detidos, ser interrogado no Tribunal da Relação caso o juiz ou o Ministério Público qualifique os crimes de que está indiciado como crimes militares.

O diretor-geral da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, foi detido na terça-feira, estando entre os oito visados por mandados de detenção emitidos na Operação "Húbris", relacionada com o caso das armas furtadas em Tancos.

Para além de Luís Vieira, os mandados de detenção visaram outros três responsáveis da PJM, um civil e três elementos da GNR.

Fonte ligada à investigação referiu que este caso se prende com a encenação montada relativamente à descoberta e recuperação das armas que haviam sido furtadas em Tancos.

Na Operação "Húbris", participaram cinco magistrados do Ministério Público e cerca de uma centena de investigadores e peritos da Polícia Judiciária.

O furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada - foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

Em 18 de outubro, a Polícia Judiciária Militar recuperou, na zona da Chamusca, quase todo o material militar que tinha sido furtado, à exceção de munições de nove milímetros.

Contudo, entre o material encontrado, num campo aberto na Chamusca, num local a 21 quilómetros da base de Tancos, havia uma caixa com cem explosivos pequenos, de 200 gramas, que não constava da relação inicial do material que tinha sido furtado, o que foi desvalorizado pelo Exército e atribuído a falhas no inventário.

Advogados falam em “guerra entre polícias”

Dois dos advogados de quatro arguidos militares detidos no processo “operação Húbris” defenderam hoje que na génese da investigação está “uma guerra” entre Polícia Judiciária e Polícia Judiciária Militar (PJM).

Temos ali uma tese que precisa de provas. Não vejo que haja aqui qualquer tipo de criminalidade imputável à Polícia Judiciária Militar”, disse aos jornalistas o defensor dos três militares da GNR, Luís Cruz Campos, que adiantou que ainda não falou com os clientes e que ainda não sabe se vão prestar declarações.

Segundo o advogado, o processo tem vários tipos de provas, mas “não há provas conclusivas, mas sim banalidades e trivialidades”.

Por sua vez o advogado João Magalhães, defensor de outro elemento da PJM, também insiste na existência de uma “guerra de polícias”, em que “toda a gente tem a pretensão de querer colher os louros de uma investigação”.

Temos duas investigações a correr ao mesmo tempo, duas polícias a investigar, e daqui resulta uma competitividade que espelha, neste processo, aquilo que não deve ser feito”, afirmou.

Para o advogado, o Estado não pode permitir estas quezílias entre polícias, dizendo que este processo é bom para quem defende a “extinção da polícia judiciária militar”.

O poder político deve refletir sobre isso”, sustentou.