Mais de 500 javalis e veados foram mortos numa montaria na Azambuja. A ação decorreu numa propriedade de caça turística, mas causou uma onda de indignação.

A autarquia já pediu esclarecimentos ao Instituto de Conservação da Natureza e aos Ministérios da Agricultura e Ambiente.

A caçada aconteceu na quinta da Torre Bela e foi organizada por uma empresa espanhola especializada neste tipo de eventos. As fotografias foram partilhadas nas redes sociais e provocaram críticas.

A montaria aconteceu no dia 17 de dezembro e contou com a participação de 16 caçadores.

A autarquia da Azambuja já pediu esclarecimentos ao Instituto de Conservação da Natureza e aos Ministérios da Agricultura e Ambiente (ICNF).

À TVI, o ICNF esclarece que não teve conhecimento prévio desta ação, que ocorreu numa zona de caça concessionada como zona de caça turística, mas, face ao elevado número de animais mortos, deu já início a um processo de averiguações junto da entidade gestora, no sentido de apurar os factos ocorridos e eventuais ilícitos nos termos da legislação em vigor.

O caso está a provocar críticas maiores também porque está em avaliação a possibilidade de se instalar na zona um parque de paineis fotovoltaicos. Para o PAN, a montaria teve um segundo objetivo.

O PAN pretende saber o que levou à autorização desta montaria, numa zona de grande sensibilidade ecológica, envolta em polémica, onde inclusivamente está prevista a instalação de uma central fotovoltaica com 775 hectares e cujo Estudo de Impacte Ambiental (EIA) encontra-se em ase de consulta pública até 20 de janeiro de 2021”, lia-se no ‘post’.

Instituto da Conservação da Natureza abre processo para averiguar abate de animais em montaria

O Instituto da Conservação da Natureza abriu um processo para averiguar junto da Zona de Caça Turística de Torre Bela “os factos ocorridos e eventuais ilícitos” relacionados com o abate de 540 animais numa montaria na Azambuja.

Numa nota enviada à comunicação social, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) refere que “não teve conhecimento prévio desta ação”, que ocorreu numa zona de caça concessionada como Zona de Caça Turística (ZTC) de Torre Bela à Sociedade Agrícola da Quinta da Visitação, SAG, Lda.

O Plano de Ordenamento e Exploração dessa ZTC prevê a exploração do veado e do javali, pelos métodos previstos na lei, onde se incluem as montarias”, acrescenta o ICFN.

O ICFN adianta ainda que, “considerando o número de animais abatidos” divulgados pela comunicação social, iniciou um processo de averiguações junto da entidade gestora da ZCT para “apurar os factos e eventuais ilícitos nos termos da legislação em vigor”.

Em comunicado também divulgado hoje, a Câmara da Azambuja diz não ter recebido “qualquer informação oficial relativamente à montaria ocorrida na Quinta da Torre Bela”, tendo apenas tido conhecimento da mesma através das redes sociais.

Tal como o ICNF, a autarquia refere que a Quinta da Torre Bela é uma propriedade privada onde existe uma zona de caça turística particular, acrescentando que a autorização para caça no local terá de ser dada por aquele instituto e não pela Câmara Municipal de Azambuja.

O Município de Azambuja já avançou com uma comunicação para o ICNF e para o Ministério da Agricultura a solicitar toda a informação sobre o ocorrido, para que estas entidades verifiquem a legalidade desta ação, assim como, a quantidade de animais abatidos e qual o destino dos mesmos”, é acrescentado.

Num requerimento entregue hoje na Assembleia da República, o PSD pediu a audição do presidente do ICNF na comissão parlamentar de Agricultura e Mar, salientando a “onde de contestação a nível nacional e internacional” que está a gerar a morte de mais de 500 animais na Quinta da Torre bela.

A situação, lê-se no requerimento, “revela contornos legais e processuais pouco claros que justificam um cabal esclarecimento público”.

A falta de esclarecimentos até ao momento por parte das autoridades nacionais, associada a contornos dúbios e aparentemente muito condenáveis, está a motivar oportunismos políticos que são igualmente reprováveis”, é ainda referido no requerimento dos sociais-democratas.

Redação