Marta Temido afirmou esta segunda-feira em conferência de imprensa que, na próxima semana, Portugal irá começar a vacinar contra a covid-19 os doentes com mais de 50 anos e com comorbilidades classificadas como prioritárias. "É um universo de meio milhão de pessoas", afirma Marta Temido.

Para além destes, há profissionais que vão ser incluídos no plano de vacinação que começa no dia 1 de fevereiro. "Bombeiros, profissionais de serviços essenciais, forças de segurança e também, entre eles, titulares de órgãos de soberania vão começar a ser vacinados a partir" da próxima semana, anunciou Marta Temido.

A ministra da Saúde afirma que estes serviços essenciais estão englobados no plano de vacinação previsto.

Iremos avançar para a vacinação de outros serviços essenciais, como tínhamos previsto", disse a ministra.

A ministra da Saúde atualizou a situação da vacinação contra a covid-19 em Portugal e anunciou que espera que, até ao final do mês, estejam vacinados cerca de 100 mil profissionais de saúde prioritários.

Numa conferência de imprensa realizada no Ministério da Saúde, em Lisboa, após uma reunião com a ‘taskforce’ do plano de vacinação, a governante esclareceu também que até às 19:00 deste domingo já tinham sido efetuadas 255.700 inoculações, nomeadamente a profissionais de saúde e utentes e funcionários de lares.

Marta Temido diz ainda que até ao dia 25, 160 mil profissionais, utentes de estruturas residenciais de idosos e das redes de cuidados continuados já foram vacinados.

Esta semana termina, conforme planeado, a vacinação destas estruturas", diz Temido, sustentando o objetivo do Governo de acelerar este processo de vacinação e melhorar a resposta nacional à covid-19, aliviando a letalidade.

Questionada relativamente ao facto de o autarca de Reguengos de Monsaraz ter sido vacinado quando não pertencia a nenhum grupo prioritário, a ministra da Saúde censurou o ato.

A ministra sublinha mesmo que estão a ser criados mecanismo para permitir que situações semelhantes são evitadas e, acontecendo, "merecem a devida censura".

É a censura social que deverá prevalecer, o melhor que podemos fazer é proteger os outros e garantir que são os mais expostos que devem ser melhor protegidos", sublinha Temido

Em causa está o episódio da última semana da vacinação do presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, que é igualmente presidente da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), responsável pelo lar de idosos onde se registou um surto no verão e que provocou a morte de 18 pessoas, tendo sido por via dessa função que viu o seu nome ser incluído na lista de pessoas a vacinar pela instituição.

Contudo, os autarcas vão também estar envolvidos no lote de titulares de órgãos de soberania a vacinar já na próxima semana, não se restringindo aos cargos mais altos do país, como o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República ou o primeiro-ministro.

Os presidentes das câmaras municipais são também as autoridades municipais de proteção civil. Isso confere-lhes uma circunstância de essencialidade para a resposta à covid-19 e, naturalmente, isso será tido em consideração. Estão a ser agora feitos os contactos no sentido da identificação exata dos indivíduos para que possam começar a ser identificados esta semana e vacinados no início da semana que vem”, acrescentou.

Portugal recebeu esta segunda-feira mais 99.450 doses de vacinas contra a covid-19, elevando o total acumulado pelo país desde o início da vacinação em 27 de dezembro para 411.600 doses, avançou hoje a ministra da Saúde, Marta Temido.

Marta Temido indicou que já foram administradas doses de vacina a mais de 162 mil utentes e funcionários de estabelecimentos residenciais para idosos (ERPI) e da rede nacional de cuidados continuados integrados (RNCCI), sublinhando que “é possível” concluir brevemente este processo, uma vez que “faltam poucos profissionais e residentes” para vacinar. Porém, lembrou que os lares onde existem surtos de covid-19 permanecem como exceção.

A alteração do prazo de 21 dias entre as duas tomas da vacina da Pfizer/BioNTech que tem sido feita em alguns países mereceu também um comentário da titular da pasta da saúde no Governo, para assumir que o Ministério já pediu um esclarecimento a nível europeu.

A ministra sublinhou ainda que está a acompanhar a situação dramática registada nos hospitais. O hospital de campanha montado na Cidade Universitária, em Lisboa, teve ordem para instalar mais camas, passando de 20 para 58. Já o hospital Garcia de Orta, em Almada, tem atualmente disponível mais uma ala com 33 camas para tratar doentes covid-19.
 

Em Portugal, morreram 10.469 pessoas dos 636.190 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.