A família dos dois idosos atropelados em 2009 pelo Metro Sul do Tejo (MST) vai levar a tribunal o Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT).

O advogado da família das vítimas, Paulo Edson Cunha, disse à agência Lusa que vai levar o IMTT a tribunal porque, considera, «a entidade não reagiu a um problema que conhecia».

O IMTT «foi alertado várias vezes pela Câmara para a situação de insegurança que se verificava no local. As passadeiras e paragens dos autocarros foram eliminadas durante as obras do MST e nunca foram repostas. A entrada e saída de passageiros era feita praticamente em cima da linha férrea, sem haver sequer uma indicação de paragem». A prova de que era possível mudar, «é que a situação está hoje resolvida».

No dia 8 de Julho de 2009, um casal de idosos foi atropelado pelo MST quando atravessava a linha férrea na avenida 25 de Abril, no Seixal, em direcção à paragem de autocarros da Transportes Sul do Tejo (TST). O homem morreu, a mulher ficou com ferimentos graves e saiu do hospital no final de Agosto desse ano. O Ministério Público arquivou em Julho de 2011 o processo contra o condutor do veículo.

Relatórios ao acidente acusam falta de sinalização

De acordo com o relatório elaborado pelo Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Ferroviários, a falta de estruturas mínimas para a localização da paragem rodoviária, a par das falhas na regulamentação de sinalização, faziam com que aquele local fosse de elevado risco para a ocorrência de acidentes.

A Câmara do Seixal (CDU) escreveu, em memorando datado de 13 de Julho de 2009, que deste acidente sobressaía «a irresponsabilidade por parte das autoridades competentes, nomeadamente o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e do IMTT, que, sabendo da existência deste problema, até à data nunca [haviam] apresentado nem concretizado uma solução».

Desde que o MST entrou em funcionamento, em 2007,

registaram-se mais de 30 acidentes, dos quais resultaram dois mortos e nove feridos graves.
Redação / CF