O Vaticano sancionou um arcebispo polaco reformado por encobrir agressões sexuais de menores, divulgou este sábado a arquidiocese de Wroclaw.

O caso de Marian Golebiewski, 83 anos, é o último de uma longa lista de escândalos de agressões sexuais que abalaram a Igreja Católica no país, Estado-membro da União Europeia e predominantemente católico.

No seguimento de notificações formais a Santa Sé conduziu um procedimento relativo à alegada negligência do arcebispo Marian Golebiewski em casos de abusos sexuais de menores por certos padres”, declarou a arquidiocese num comunicado.

Os factos ocorreram quando Marian Golebiewski era bispo de Koszalin-Kolobrzeg (norte da Polónia) de 1996 a 2004, bem como quando foi arcebispo de Wroclaw (oeste), de 2004 a 2013, especifica-se na nota.

Como resultado da investigação, o Vaticano decidiu proibir Marian Golebiewski de exercer cargos públicos e ordenou-lhe que fizesse doações a uma fundação católica para a proteção de menores.

A Igreja, que é politicamente muito influente na Polónia, enfrenta uma série de acusações, muito mediatizadas, de crimes sexuais ligados a menores e encobrimento, um tema tabu não há muito no país, muito ligado à fé católica.

Desde o ano passado, o Vaticano sancionou oito bispos polacos por encobrirem atos de pedofilia cometidos por clérigos, bem como um cardeal.

Em julho, a comissão estatal sobre pedofilia disse que os padres estiveram envolvidos em quase um terço dos crimes de pedofilia registados na Polónia entre 2017 e 2020, de um total de 345 casos investigados sobre esse período.

A comissão, que foi criada em 2019, também disse não ter recebido da Igreja qualquer documentação sobre casos de abuso de crianças, apesar dos pedidos.

No seu próprio relatório, apresentado em junho, a Igreja Católica revelou que tinha recebido várias centenas de novas queixas de agressões sexuais a menores por membros do clero desde 2018.

De julho de 2018 até ao final do ano passado, foram comunicados à Igreja 368 casos de agressão sexual, cometidos entre 1958 e o ano passado.

/ JGR