O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, lamentou esta terça-feira, no Porto, que «o pensamento do Santo Padre esteja a ser maltratado» na questão do uso do preservativo, refere a Lusa.

«No contexto em que as suas palavras foram pronunciadas, há uma mensagem muito mais vasta que Portugal não quis ouvir», sustentou D. Jorge Ortiga, referindo-se à mensagem transmitida pelo Papa Bento XVI durante a sua recente viagem oficial ao continente africano.

Nessa sua mensagem, o Papa disse que a Sida não se combate só com dinheiro «nem com a distribuição de preservativos que, ao contrário, aumentam o problema».

À margem do Seminário Nacional Espiritualidade no Hospital, a decorrer até quarta-feira, no Hospital de S. João, no Porto, D. Jorge Ortiga escusou-se a comentar a posição entretanto assumida por responsáveis da Igreja Católica portuguesa, considerando que «é tempo de olharmos para outras dimensões e não reduzirmos uma mensagem tão vasta».

Responsáveis da Igreja Católica portuguesa admitiram que «em condições extremas» os preservativos podem ajudar a resolver o problema da sida, ressalvando, porém, que o combate à epidemia passa «antes de mais pela educação» do que pela utilização de contraceptivos.

O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, defendeu que «a grande solução» para o problema da sida «é comportamental», sendo o preservativo um «expediente» que poderá ter «o seu cabimento nalguns casos».

Num comunicado disponível no site da sua diocese, o Bispo de Viseu, Ilídio Leandro, defendeu que quando os doentes infectados com Sida têm uma vida sexual activa têm uma «obrigação moral de se prevenir e de não provocar a doença na outra pessoa».

«Aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório», afirmou o bispo, alegando, no entanto, que o Papa tem defendido a sua doutrina e que é natural que não afirme que «banaliza o valor, o sentido e a vivência da sexualidade».

Também o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, defendeu que «proibir o preservativo é consentir na morte de muitas pessoas» e que as pessoas que aconselham o Papa deviam ser «mais cultas».
Redação / CR