A embaixadora da Ucrânia em Portugal, Inna Ohnivets, só soube das circunstâncias da morte de Ihor Homeniuk, à guarda do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), através da reportagem da TVI. De acordo com o jornal Observador, a diplomata acusa o SEF, na pessoa do agente que comunicou a morte à embaixada, de ter omitido as circunstâncias em que Homeniuk morreu.

De acordo com o jornal digital, a missiva data de 29 de março de 2020, 18 dias depois da morte de Ihor, e foi classificada como “muito urgente”. A embaixadora explica que tonou conhecimento do caso de Ihor, pela primeira vez, a 10 de março, quando foi comunicada à embaixada que tinham recusado a entrada de um cidadão ucraniano em Portugal. Quatro dias depois, a embaixada foi novamente contactada por causa de Ihor, mas para comunicar a morte do homem.

Nada foi informado sobre as suas causas e circunstâncias, apenas a data do óbito do falecido, omitindo, deste modo, a verdade”, acusa Inna Ohnivets na carta enviada ao Ministério Público e citada pelo Observador.

Só quando assistiu à reportagem da TVI sobre a morte de Ihor Homeniuk, a 29 de março, é que a diplomata ficou a conhecer as circunstâncias em que ocorreu a morte. Na reportagem, inspetores do SEF eram apontados como suspeitos de terem torturado e assassinado o imigrante ucraniano. Nesse mesmo dia, Inna Ohnivets escreveu ao Ministério Público a lamentar ter tido conhecimento das suspeitas pela televisão.

Inna Ohnivets classificou a situação como “um caso flagrante de violação dos direitos humanos que levou à morte de um cidadão da Ucrânia” e como “uma situação de abuso de autoridade por parte dos representantes da autoridade portuguesa”.

A diplomata pediu ainda ao Ministério Público que “se digne realizar uma investigação imparcial, objetivo e justa do citado caso”.

Manuela Micael