Há dois homens infetados com covid-19 entre os migrantes que foram intercetados no Algarve.

Os dois homens estão assintomáticos e já foram isolados do resto do grupo.

Os 28 migrantes indocumentados desembarcaram na ilha Deserta, na Ria Formosa, concelho de Faro, na terça-feira.

Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), os migrantes não possuem documentos, mas dizem ser de nacionalidade marroquina.

A primeira intervenção que houve foi a da realização dos testes covid-19 e avaliação médica dos mesmos, dois deram positivo, o que implica necessariamente que sejam cumpridas nesta matéria as indicações e determinações da autoridade de saúde e, portanto, eles já estão neste momento separados, dando cumprimento às determinações da autoridade de saúde”, afirmou a diretora do SEF.

A diretora nacional do SEF, Cristina Gatões, fez hoje um ponto da situação dos 28 migrantes e adiantou que vão permanecer na Base de Apoio Logístico (BAL) da Proteção Civil, em Quarteira, no concelho de Loulé, até serem ouvidos em tribunal e serem aplicadas as medidas cautelares.

A responsável explicou que, no que se refere à entrada em território nacional deste migrantes indocumentados, “o expediente está todo a ser preparado” e “foi comunicado ao tribunal” a “existência de dois positivos ao teste covid”, faltando o tribunal decidir de que forma poderiam ser “presentes a tribunal”.

Posteriormente, foi comunicado ao SEF que essa audição seria “por videoconferência”, disse outra fonte do serviço à agência Lusa.

Cristina Gatões tinha garantido que, “dependendo daquilo que fosse determinado” entre o tribunal e a autoridade de saúde, “o SEF e os demais forças e serviços de segurança, incluindo a Proteção Civil, cumpririam rigorosamente aquilo que foi determinado para sejam garantidos os direitos, liberdades e garantias destes cidadãos” e “cumpridas e asseguradas todas as questões sanitárias que se impõem neste caso concreto”.

A situação do menor foi imediatamente comunicada ao Tribunal de Família e Menores, que está a acompanhar a situação”, adiantou sobre o caso do adolescente de 15 anos que viajava na embarcação.

Após desembarcarem na ilha Deserta e terem sido reunidos pelas autoridades marítimas e policiais, os migrantes “foram levados, ao final do dia, para a Base de Apoio Logístico da Proteção Civil em Quarteira”, onde fora submetidos aos testes à covid-19.

Foram também feitas as primeiras diligências por parte do SEF e recolhido todo o material que traziam, "alguns telemóveis", assim como as fotografias de cada um deles, tendo depois sido "dado jantar e todo o apoio médico pela Cruz Vermelha".

Nenhum dos 28 migrantes formalizou o pedido de asilo e serão, por isso, presentes a tribunal pelo crime de entrada e permanência ilegal no país.

Entre o grupo está um menor de 15 anos e três mulheres, uma dela grávida de cinco meses.

Cristina Gatões disse ter estado no local e confirmado que os migrantes têm condições “extremamente simpáticas” e “as senhoras estão numa área à parte, com o devido conforto”, onde “têm quarto de banho privativo” e contam com “médicos da Cruz Vermelha de uma forma permanente”.

Portanto, têm conforto, estão tranquilos e o espaço tem todas as condições para que permaneçam ali até à decisão judicial”, assegurou.

 
Patrícia Manguito / atualizada com Lusa às 20:16