A Polícia Judiciária está a investigar crimes de tráfico humano, escravatura e auxílio à imigração ilegal em Odemira, sabe a TVI.

O presidente da Câmara de Odemira, José Alberto Guerreiro, foi um dos que denunciou a situação à PJ, nomeadamente as suspeitas que estão na base da existência de “muitos trabalhadores migrantes” no concelho.

Existe “um problema que ultrapassa aquilo que é a atividade agrícola, mas, a coberto dela, o facto de haver muitos trabalhadores migrantes e uma intensa atividade agrícola”, afirmou o autarca alentejano, em declarações aos jornalistas, no domingo, no final de uma reunião da task force do concelho.

José Alberto Guerreiro indicou mesmo ter denunciado as suspeitas “há cerca de dois anos” à Polícia Judiciária e que ele próprio já foi ouvido.

Mas a Polícia Judiciária está a investigar mais queixas, estando, neste momento, em fase de recolha de prova.

Segundo o autarca, existem estabelecimentos comerciais em Odemira que “têm um conjunto de empregados que não é justificado pelo espaço”, nomeadamente “supermercados com 200 metros quadrados” de área e que “têm 30 ou 40 trabalhadores”.

Há espaços de venda ao público de bebidas que têm dez vezes mais empregados do que é normal, mas também existem outras questões muito estranhas, em que muitos dos negócios são em dinheiro”, apontou.

O Governo decidiu decretar uma cerca sanitária às freguesias de São Teotónio e de Almograve, no concelho de Odemira, devido à elevada incidência de casos de covid-19, sobretudo em trabalhadores imigrantes do setor agrícola, anunciou na quinta-feira António Costa.

O próprio primeiro-ministro assumiu que os imigrantes em Odemira "vivem em situações de insalubridade habitacional inadmissível, com hipersobrelotação das habitações”, considerando que são situações de “risco enorme para a saúde pública, para além de uma violação gritante dos direitos humanos”.

No domingo, também Marcelo Rebelo de Sousa manifestou preocupação com a situação em Odemira, pedindo ação imediata das autoridades em caso de violação dos direitos dos trabalhadores.

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Henrique Machado / CM