Ao final de segunda-feira, a estrada nacional (EN) 266 no Sítio do Porto de Lagos, no concelho de Portimão, foi cortada no sentido de Monchique onde lavra um incêndio desde a passada sexta-feira.

De acordo com fonte da GNR de Portimão, a estrada nacional que faz a ligação a Monchique foi cortada. Às 05:00, o fogo estava a ser combatido por 1.187 operacionais, apoiados por 377 viaturas.

Pouco antes da meia-noite, a vila de Monchique sofreu um corte de energia elétrica, como relatou a reportagem da TVI24 no local, sem ser então conhecida a razão direta da supressão de abastecimento.

Com a situação mais calma no centro da vila, a reportagem da TVI24 mostrou que as chamas continuavam a circundar Monchique.

A frente de fogo que está mais próxima de Monchique é visível da vila e está a ganhar força devido ao vento, mas o fogo ainda está a alguma distância da localidade, confirmou à agência Lusa uma fonte da Proteção Civil.

O combate ao incêndio que deflagra desde sexta-feira em Monchique tem sido dificultado pela intensidade e constantes mudanças de direção do vento e pela dificuldade de acesso dos meios terrestres ao terreno devido à densa vegetação existente, disse ainda a fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Faro (CDOS).

Há ainda outra zona preocupante para as autoridades, nas Caldas de Monchique, onde o fogo também está a lavrar “com muita intensidade”, acrescentou, referindo-se às termas, uma zona situada a cerca de quatro quilómetros da vila de Monchique e onde existem várias unidades hoteleiras, embora todas já tivessem sido evacuadas pelas autoridades no domingo.

 

"Fortes reativações"

Em todo o perímetro do incêndio de Monchique estão a ser registadas "fortes reativações" que, "associadas à intensidade do vento", estão a tomar "de imediato grandes proporções", de acordo com o ponto de situação da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), divulgado no seu site.

O incêndio que pelo quarto dia lavra em Monchique, no Algarve, voltou a agravar-se durante o dia de hoje e o quadro geral da operação é neste momento “muito complexo”, admitiu a Proteção civil.

A situação infelizmente alterou-se, tínhamos uma situação mais favorável e registaram-se várias projeções, as quais tiveram um comportamento bastante violento”, assumiu o segundo comandante operacional distrital da Proteção Civil de Faro, Abel Gomes.

Segundo o responsável, os locais que oferecem maior preocupação são, neste momento, a zona da Fóia e o sítio da Cascalheira, ambos em Monchique, e a barragem de Odelouca, já no concelho de Silves.

No terreno continuam a operar mais de 1.100 operacionais, apoiados por mais de 340 veículos e um total de 24 máquinas de rasto.

A apoiar no combate estiveram cinco helicópteros, três parelhas de aviões nacionais e três aviões espanhóis, sendo que, segundo Abel Gomes, todos estiveram ao combate e operacionais.

De acordo com o responsável, as zonas “muito sensíveis” que não estavam consolidadas “reativaram e com grande intensidade”, o que, face à meteorologia que continua adversa, faz deste um “incêndio de grande dimensão”.

Contudo, o quadro meteorológico “não é favorável”, porque vão manter-se temperaturas altas e a humidade relativa vai continuar baixa, o que faz antever “uma noite dura de muito trabalho”.

Durante a tarde, foram retiradas pessoas da zona da Fóia e também do Sítio da Cascalheira, em Monchique, e ainda da Barragem de Odelouca, já no concelho de Silves.

Em Silves não há nenhuma habitação em perigo e o fogo chegou à Barragem de Odelouca e ao Centro Cinegético de Silves, antevendo-se, neste concelho, um combate “muito favorável”, concluiu.

As autoridades estão ainda a fazer uma avaliação de reconhecimento no terreno sobre o edificado ardido no incêndio da serra de Monchique, não havendo ainda uma quantificação precisa de casas afetadas, informou a Comissão Distrital de Proteção Civil de Faro.

Há registo de 95 feridos, um dos quais em estado grave, uma idosa transportada para a Unidade de Queimados do Hospital de São José, em Lisboa, cujo prognóstico é "favorável".

Assistidos até agora 12 feridos nos hospitais algarvios

Doze pessoas, todas com ferimentos ligeiros, foram assistidas até às 16:00 de hoje nos hospitais do Algarve na sequência do incêndio de Monchique, informaram as autoridades de saúde.

Em comunicado, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve adiantou que, dessas doze pessoas, apenas uma se mantém em observação no Serviço de Urgência da Unidade de Portimão do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA).

A ARS/Algarve disponibilizou uma equipa de profissionais de saúde do Centro de Saúde de Monchique para assistir as pessoas que se encontram no Centro de Apoio à População na Escola EB 2,3 de Monchique, lê-se na nota.

Em articulação com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), aquele organismo está também a disponibilizar as instalações do Centro de Saúde para que as equipas do INEM possam prestar apoio aos operacionais que se encontram no terreno, afetados pelo cansaço, desidratação, inalação de fumo.

O Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) disponibilizou ainda uma equipa de saúde mental comunitária para articular o apoio à população em caso de necessidade, lê-se no comunicado.

Situação nas termas gera "grande preocupação"

O presidente da Câmara Municipal de Monchique afirmou ao final da tarde que as localidades de Caldas de Monchique e Fóia são as que geram maior preocupação no combate ao incêndio na serra algarvia.

Em declarações à agência Lusa, pelas 18:30, junto à localidade de Alcaria do Peso, Rui André classificou a situação que se vive na serra de Monchique como complexa.

Rui André admitiu que já arderam algumas casas de primeira habitação, mas recusou desenvolver o assunto, ressalvando que a contabilização ainda não foi feita.

Neste momento temos problemas sérios que estamos a tentar resolver, mas as coisas não estão muito fáceis. Depois de uma noite de muito trabalho, se não tivéssemos uma manhã que trouxe uma nuvem de fumo e impediu os meios aéreos de trabalhar, a esta hora teríamos outra situação”, lamentou, acrescentando que só foi possível recorrer a máquinas de rasto e meios humanos.

Relativamente aos pontos mais críticos, o autarca destacou uma frente nas Caldas de Monchique, perto das termas, que ameaça as unidades hoteleiras, assim como a própria infraestrutura termal, e outra que se encontra na vertente norte da Foia, o ponto mais alto da serra algarvia.

Rui André referiu ter também conhecimento de que uma frente de fogo ameaça a Quinta Pedagógica do concelho vizinho de Silves.

No que concerne às pessoas que já foram retiradas, por razões preventivas, das suas habitações, o autarca explicou que o problema é o concelho ter habitações “muito dispersas”.

“O facto de o concelho ter habitações dispersas obriga a um trabalho preventivo de retirar as pessoas de casa, o que temos feito com sucesso”, sublinhou.