O Jornal de Notícias (JN) noticiou que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) teria demorado cerca de quatro horas a socorrer uma vítima grave dos incêndios em Vila de Rei, durante o fim de semana.

Paula Neto, médica do INEM, admitiu as dificuldades e os constrangimentos durante o transporte do doente para a unidade hospitalar, mas tem uma versão diferente dos factos.

Em declarações do ponto de situação dos incêndios esta manhã, começou por dizer que esta vítima teve uma “assistência diferenciada ao fim de seis minutos após o pedido de ajuda”.

Esclareceu que foram enviados vários meios para o local, de modo a ser prestada a resposta mais rápida e adequada, e que após a avaliação médica do doente, entenderam que o melhor meio de transporte seria o helitransporte.

Além dessa ambulância diferenciada, foi acionada uma viatura médica, e, a partir daí, foi em função da avaliação médica e em função da situação clínica do doente, que foi considerado que o melhor meio de transporte para manter os cuidados e garantir a estabilidade e a assistência àquele doente, seria o helitransporte”, disse Paula Neto.

Uma versão que veio a ser reforçada, em comunicado, pelo INEM: "o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) acionou no imediato a Ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Tomar, meio diferenciado do INEM que naquele momento se encontrava mais próximo da localização do ferido"

No documento lê-se ainda que "a Equipa da SIV iniciou a assistência médica pré-hospitalar ao doente às 22h01m, ou seja, apenas seis minutos após o pedido de ajuda ao CODU e não as cerca de quatro horas que têm sido referidas em algumas notícias"

Paula Neto admitiu alguns constrangimentos, como a falta de visibilidade, que “fizeram com que o helitransporte não fosse tão célere” como tinham inicialmente previsto. Ainda assim, garantiu que foram seguidos todos os procedimentos necessários e que a missão do INEM tinha sido devidamente cumprida.

Aquilo que é importante, e aquela que é a missão do Instituto Nacional de Emergência Médica, que é socorrer as vítimas, estabilizá-las e encaminhá-las para as unidades hospitalares (…) foi toda ela cumprida, porque aquele doente, que era um doente grave, teve acompanhamento médico desde os primeiros minutos e manteve-se até ao momento em que entregamos a vítima estabilizada e em segurança na unidade hospitalar adequada à continuação dos cuidados”.

O comunicado esclarece ainda que "o CODU acionou o Helicóptero de Santa Comba Dão, que levantou voo cerca das 23h00, e informou que o Hospital de destino era São José, em Lisboa". No entanto, por volta das 23:43, Comandante do helicóptero informou o CODU que não existiam condições para uma aterragem em segurança no Aeródromo das Moitas. Nesse sentido, teve de ser procurada uma nova alternativa, mas o helicóptero já só tinha combustível suficiente para regressar à base, em Santa Comba dão.

Às 00:05 o CODU acionou o Helicóptero de Évora, que apanhou a vítima no Campo de Futebol de Proença a Nova, acabando por dar entrada no Hospital de São José às 03:02.

No entanto, segundo o JN, a vítima grave, no início da noite de sábado, andou quatro horas às voltas numa ambulância SIV desde Vale da Urra até ser, finalmente, transportada de helicóptero para o Hospital de São José, em Lisboa. Esta versão dos factos não foi confirmada nem pela médica do INEM, no briefing diário desta manhã, nem pelo comunicado enviado à comunicação social. 

Ferido grave internado em São José está "clinicamente estável"

O ferido grave do incêndio que deflagrou no sábado em Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, encontra-se clinicamente “estável”, disse à Lusa fonte do Centro Hospitalar de Lisboa Central.

De acordo com a mesma fonte, a situação clínica do homem, que se encontrava em Vale da Urra, concelho de Vila de Rei aquando do incêndio, “é estável sem intercorrências”, escusando-se a adiantar mais pormenores.

Cláudia Évora