Os incêndios deste fim-de-semana já fizeram pelo menos 30 feridos. É este o mais recente balanço feito pela Proteção Civil e pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), ao início da noite deste domingo. 

Dos 30 feridos, nove precisaram de ser hospitalizados e um encontra-se em estado grave. É o civil ferido que foi internado no Hospital de São José e que foi visitado, este domingo, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Paula Neto, médica do INEM, sublinhou que durante esta tarde foi apenas registado um caso (oito dizem respeito a sábado).

Na mesma conferência de imprensa, o comandante operacional da Proteção Civil Luís Belo Costa adiantou que há “registo de habitações que foram atingidas pelas chamas”. Não adiantou, contudo, números.

Há registo de casas atingidas pelas chamas, mas não temos ainda um número fiável", afirmou o comandante do Agrupamento Centro Sul, Belo Costa, na conferência de imprensa às 20:00.

Luís Belo Costa descreveu o período da tarde deste domingo como um período “muito complexo, muito difícil do ponto de vista da resposta aquilo que ia sendo imposto pelos fatores meteorológicos que estavam previstos”, com rotação do vento e aumento significativo da temperatura, o que levou "a dificuldades acrescidas no incêndio" que às 13:00, aquando da conferência de imprensa anterior, estava controlado em 85%.

Eles verificaram-se. Verificaram-se da pior forma, mais ainda de forma antecipada. Ou seja, a hora de referência que tínhamos para o agravamento dessas condições meteorológicas foi antecipada em mais de meia hora“, acrescentou.

 

Por via das projeções passamos a ter ignições em locais onde as forças estavam menos reforçadas. Foi uma tarde extraordinariamente difícil e de extrema propagação do incêndio", sublinhou o comandante, que falava no posto de comando instalado na Sertã, distrito de Castelo Branco.

O comandante da Proteção Civil diz que a situação “não está tão grave como esteve ontem, ainda assim está muito grave”.

Proteção Civil nega falhas no SIRESP

Belo Costa adiantou ainda que estiveram mobilizados 14 meios aéreos para combater as chamas durante o período de máximo empenhamento e que, neste momento, no incêndio de Vila de Rei e Mação estão no terreno 839 operacionais da proteção civil apoiados por 296 viaturas.

Este domingo, no terreno, o repórter da TVI António Pereira Gonçalves relatava que bombeiros que pediram o anonimato lhe comunicaram falhas na rede de comunicação do SIRESP. "Sobretudo na rede secundária. Um carro que esteja na zona mais alta de Cardigos não consegue comunicar com um que esteja na zona mais baixa, apesar de o SIRESP conseguir ligação ao comando principal", explicou o jornalista, tendo por base as explicações que lhe foram dadas no terreno. 

As falhas foram negadas por Belo Costa, que assegura que se o SIRESP "comunica bem para cima, também comunica bem para baixo". 

Ainda não houve necessidade de empenhar a antena que está ali parqueada, pronta para ser aplicada quando o SIRESP assim o exigir. Pensámos trazer para cá a antena para o caso de sentirmos alguma pressão sobre a rede, mas a verdade é que ainda usámos a antena. Isto é a prova de que o SIRESP tem estado a cumprir as suas funções, como aliás esperávamos", assegurou o responsável. 

O comandante do Agrupamento Centro Sul voltou a reforçar a ideia de tentar, ao longo desta noite, aproveitar as condições meteorológicas mais favoráveis, como a diminuição da temperatura e do vento, e um aumento da humidade, para tentar dominar o incêndio durante a madrugada.

Belo Costa adiantou ainda que o desenvolvimento que o fogo teve "indicia a probabilidade" de voltar a entrar no distrito de Castelo Branco, desta vez, pelo concelho de Proença-a-Nova.

O comandante espera que a todo o momento as forças no terreno sejam reforçadas com quatro pelotões das Forças Armadas que vão ser colocados nas zonas menos críticas para fazer vigilância, permitindo deste modo a reafetação de operacionais para as zonas mais críticas.

Governo diz que prioridade são as pessoas

O secretário de Estado da Proteção Civil, Artur Neves, afirmou, na mesma conferência de imprensa, que a grande prioridade das forças que combatem o incêndio é a proteção das pessoas e das aldeias.

A grande prioridade é a proteção das aldeias e das pessoas que lá residem", afirmou Artur Neves.

O governante frisou que no terreno há dezenas de aldeias e casas isoladas e realçou o empenho dos operacionais e da coordenação dos meios.

A expectativa é a de que o trabalho vai continuar e com empenhamento. Compreendemos bem o sentimento das pessoas e percebemo-lo", disse referindo-se a algumas críticas que vão surgindo de pessoas que se queixam de falta de meios.

O secretário de Estado voltou a reforçar a ideia de que a "prioridade absoluta" é proteger as pessoas e as habitações.

Há registo de feridos, felizmente, não com grandes consequências, mas a preocupação é grande", concluiu.