O incêndio que lavra no concelho de Sever do Vouga, distrito de Aveiro, encontra-se com “três grandes frentes ativas”, disse o presidente da autarquia, estimando que possa entrar em fase de resolução ainda esta terça-feira.

O incêndio deflagrou na segunda-feira, às 11:24, na freguesia de Arcozelo das Maias, concelho de Oliveira de Frades, tendo depois alastrado para o município de Sever do Vouga.

Cerca das 18:30, o presidente da Câmara Municipal de Sever do Vouga, António Coutinho, adiantou que existem de momento “três pontos mais críticos”, mas estima que venham a ser resolvidos com a evolução positiva das condições meteorológicas.

Penso que qualquer um deles estará em resolução, não imediata, mas com o tempo resolver-se-ão porque está a arder em zonas por onde andou já à volta o incêndio e, portanto, já não tem muito mais para arder”, afirmou o autarca.

Questionado sobre se estima que o incêndio entre em fase de resolução ainda hoje, o presidente da autarquia de Sever do Vouga disse esperar que sim.

“Em termos de vento, a coisa melhorou. O vento já não está como de manhã e de noite e isso também ajuda”, notou.

O autarca referiu ainda que o fogo não está neste momento perto de habitações, adiantando que “está a evoluir ao contrário, para zonas onde não há habitações muito próximas”.

Relativamente a eventuais danos, António Coutinho, disse não ter “ainda avaliação nenhuma de prejuízos nem daquilo que ardeu”.

“Tenho conhecimento de que arderam três ou quatro pequenos arrumos agrícolas, mas não houve grandes problemas. O que ardeu em grande parte foi floresta e mato”, salientou.

Às 19:00 estavam no local 795 operacionais, 264 veículos e 11 meios aéreos, de acordo com a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

População de Cedrim viveu momentos de aflição com o fogo a ameaçar casas

Durante a madrugada, a população de Cedrim, em Sever do Vouga, viveu momentos de aflição, quando as chamas se aproximaram das suas habitações e não havia bombeiros por perto.

Foi um desespero. Estava a ver que ficava mesmo sem casa. Não apareceu um carro de bombeiros, nem a GNR”, disse à Lusa Albertina Cruz, de 48 anos, que passou toda a noite acordada, juntamente com o marido e uma filha, para conseguir proteger os seus bens.

Albertina conta que no início só via uma “fogueirinha” e pensava que o fogo estava controlado, mas, "de repente, começou tudo a arder".

Era tanto fogo, tanto fogo, tanto fogo. A gente não podia com as fragolas. Era só lume em cima de nós”, disse, com as mãos em cima da cabeça.

Quando falhou a água, entrou em desespero e chegou a pensar fugir, mas alguns amigos do lugar vieram ajudar a proteger a casa.

“Tenho de agradecer a muita gente. Houve pessoas que me vieram ajudar com caldeiros de água e um rapaz com uma carrinha que tem uma bomba e foi o que nos salvou”, contou, sempre a chorar.

Alguns metros mais acima, Maria de Fátima, 63 anos, varria a entrada da casa com medo dos reacendimentos.

“Estou a tirar estas folhas ao menos. A gente tem sempre medo que o vento leve uma fagulha para um lado qualquer e ele [incêndio] se reacenda”, explicou.

O marido, José Ferreira, que completa 66 anos na quarta-feira, afirma que nunca teve tanto medo na vida como na última noite. “Isto nem é bom lembrar. Já levei muitos tombos e nunca tive tanto medo de morrer como esta noite”, acrescentou.

José Ferreira diz que o maior problema foi quando a água falhou, adiantando que a sua sorte foi um vizinho que tem um furo e que o ajudou.

“Não havia aqui bombeiros. Eles passavam na estrada e eu acenava-lhes, mas eles iam-se embora”, disse.

José Ferreira conta que ficou com a casa onde vive intacta, mas perdeu um curral, que felizmente não tinha animais. “Tinha lá um touro grande e foi há oito dias embora. Se o tinha lá, morria. Ele pesava mais de 200 quilos. Quem é que o tirava de lá àquela hora da noite?”, terminou.

/ SS - atualizada às 19:24