Os bombeiros estão a combater alguns reacendimentos do incêndio que lavra desde sábado no concelho de Mação, distrito de Santarém, que, pouco depois das 10:00, estava sem qualquer chama ativa, de acordo com a Proteção Civil. O autarca de Mação já deixou várias críticas à forma como a gestão de meios foi feita no incêndio. 

O segundo comandante distrital do Comando Operacional Distrital de Santarém, Paulo Ferreira, que chefiou o posto de comando instalado na aldeia de Cardigos, no concelho de Mação (Santarém) desde a 01:00 até cerca das 10:30 de hoje disse à Lusa que esta frente do fogo que atinge igualmente o concelho de Vila de Rei (Castelo Branco) está em fase de rescaldo.

Contudo, admitiu que, com o aumento da temperatura e a rotação de ventos prevista, “vai existir perigo”, estando a ser colocadas equipas da GNR nas aldeias de Chaveira, Chaveirinha e S. Bento, que se encontram na hipotética linha de fogo.

Segundo o comandante, os meios aéreos estão a fazer “o arrefecimento de pontos quentes, que são detetados pelas equipas em terra”, de forma a colocar “alguma água de manhã enquanto está fresco”, tendo igualmente iniciado o combate aos focos de reacendimento.

Paulo Ferreira afirmou que a noite foi “de muito trabalho”.

Havia muita chama ativa durante a noite. Os operacionais esforçaram-se para podermos ter uma manhã sem chama ativa”, frisou.

O comandante do Agrupamento Distrital do Centro Norte, Pedro Nunes, disse, no ponto de situação feito às 08:00, que 90% do fogo havia sido dominado durante a noite, mantendo-se duas frentes de fogo nos concelhos de Vila de Rei e de Mação.

Pedro Nunes afirmou que o fogo se desenvolvia ao início da manhã "de forma branda”, não havendo casas em risco, mas existe um “plano B” caso se registe de novo uma situação como a ocorrida no domingo à tarde com a mudança de direção e da intensidade do vento.

Prevendo “um dia difícil”, o comandante afirmou que, durante a manhã vai ser feito um esforço para “maximizar o tempo para percorrer a maior quantidade de território possível com máquinas de rasto para tapar as linhas de fogo”.

Ao longo do dia, o combate vai ter “dois tempos”, o da manhã, com vento de leste fraco e a preocupação colocada no “flanco direito” das duas frentes de fogo, uma no concelho de Vila de Rei e outra no de Mação.

Para a tarde, a previsão de rajadas 35 de quilómetros/hora, de noroeste, colocará a atenção no flanco esquerdo, em particular nas localidades de Chaveira, Chaveirinha e Casais de São Bento (Mação) e Vergão (Proença-a-Nova), onde vão ser posicionados meios da GNR e da Segurança Social, para o caso de vir a ser necessário proceder à sua evacuação.

O comandante adiantou que ao todo houve 21 pessoas assistidas e 10 feridos, na sua maioria ligeiros.

Vários incêndios deflagraram no distrito de Castelo Branco ao início da tarde de sábado. Dois com origem na Sertã e um em Vila de Rei assumiram maiores dimensões, tendo este último alastrado, ainda no sábado, ao concelho de Mação, distrito de Santarém.

Chamas destruíram duas casas de primeira habitação em Mação

O incêndio que começou no sábado em Vila de Rei e que alastrou a Mação atingiu duas casas de primeira habitação e desalojou duas pessoas neste município, disse hoje à agência Lusa o presidente da Câmara, Vasco Estrela.

Temos a confirmação de duas casas de primeira habitação ardidas, em Azinhal e Roda de Cardigos, e temos também algumas situações que ainda estamos a avaliar, que eram casas de segunda habitação, casas já com alguma degradação. Temos vários anexos que estão também ardidos", disse o presidente da Câmara de Mação.

Segundo Vasco Estrela, já estão no terreno elementos da Segurança Social e técnicas do Serviço de Ação Social da Câmara Municipal de Mação, que "vão começar a rastrear toda a zona" no sentido de esclarecer bem todas as situações e "também falar com as populações e perceber melhor as necessidades".

De acordo com o presidente da autarquia, "há duas pessoas desalojadas, que estão [acolhidas] na Santa Casa da Misericórdia de Cardigos, precisamente porque não têm as suas habitações, que foram destruídas pelos incêndios".

Apesar de Mação não ter o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil ainda aprovado - está para aprovação na Autoridade Nacional de Proteção Civil -, o autarca admitiu que "tudo funcionou de acordo com aquilo que está determinado e que há muitos anos é praticado no concelho" para prestar o apoio às pessoas.

Ainda está a decorrer o incêndio e já estão entidades da Câmara no terreno. A Santa Casa da Misericórdia de Cardigos colaborou, todas as entidades colaboram, conforme tem sido habitual na Câmara Municipal de Mação, ao longo de muitos anos, independentemente dos formalismos do Plano Municipal de Emergência", apontou.

Vasco Estrela disse ainda que em todos os locais onde foi necessário fazer a evacuação ou encontrar um ponto de encontro para situações de pânico ou de fuga, isso foi feito, como refere o programa Aldeias Seguras, Pessoas Seguras.

O programa Aldeias Seguras "pouca aplicação tem tido no território" nacional, admitiu, acrescentando que a Câmara Municipal que lidera tem, há 13 anos, um programa, que está a ser replicado pelo Governo, de distribuição de motobombas junto das populações.

Temos também essa ferramenta aplicada cá desde 2007. Portanto, ficamos muito satisfeitos por ver o Governo e pessoas com responsabilidades a replicarem aquilo que Mação tem feito ao longo dos anos: a tentativa de evitar problemas para as pessoas", rematou.

Pelas 11:20, o autarca disse à Lusa que estavam a verificar-se "alguns pequenos reacendimentos" do incêndio em redor da vila de Cardigos, que estavam a ser combatidos por meios terrestres e aéreos.

Com o aumentar da temperatura e do vento, é isto que é normal que aconteça. Infelizmente. Estamos a tentar resolver estas situações", afirmou.

Segundo Vasco Estrela, os meios estavam a "conseguir controlar a situação" e os trabalhos de combate às chamas decorriam "razoavelmente bem", embora a área atingida fosse "muito grande".