O fogo que deflagrou em Proença-a-Nova no domingo regista um perímetro com mais de 55 quilómetros, disse esta segunda-feira o responsável da Proteção Civil.

"Nas primeiras duas horas e 40 minutos [do início do incêndio] queimou quase 2.300 hectares. Manteve-se com esta energia durante toda a noite e ao contrário das expectativas de que a noite trouxesse alguns benefícios para combater [o fogo] isso não veio a acontecer", afirmou o Comandante Operacional de Agrupamento Distrital do Centro Sul, Luís Belo Costa, durante a conferência de imprensa que teve lugar no posto de comando, em Sobreira Formosa, no concelho de Proença-a-Nova.

Segundo o responsável, apesar do tempo "mais encoberto e fresco" que se registou hoje de manhã, o dispositivo de combate não tem conseguido "colocar meios a combater na linha de propagação do incêndio" que alastrou aos concelhos de Oleiros e Castelo Branco.

As aldeias que motivam mais preocupação à Proteção Civil situam-se todas no concelho de Oleiros, já que estão na linha de propagação do incêndio, que tem "uma frente muito viva e com uma carga de combustível disponível extraordinária".

"A nossa ação está, neste momento, muito confinada àquilo que é a defesa de pessoas e do parque habitacional", acrescentou, referindo que tem sido impossível o combate direto à cabeça do incêndio, sendo a estratégia seguida neste momento a de se retirar energia nos flancos do fogo.

É nos flancos que o combate tem registado "alguma taxa de sucesso", notou Belo Costa, referindo que esse é um "trabalho moroso e de paciência".

O responsável disse acreditar que só ao final do dia ou início da noite seja possível começar a colher "resultados" e conseguir combater diretamente a cabeça do incêndio.

Neste momento, entre as máquinas de rasto a trabalhar e as que estão a chegar, estão empenhados "16 equipamentos deste género", com Belo Costa a classificar a operação de "bastante complexa".

Para além do vento e da orografia, o comandante realçou as dificuldades de combate numa zona de "mancha florestal contínua" e com uma "rede viária muito deficitária".

De acordo com o médico do INEM Bruno Borges, há a registar, até ao momento, dois feridos graves e cinco feridos ligeiros, todos bombeiros.

Segundo o capitão da GNR de Castelo Branco, Jorge Massano, face às características do incêndio e à velocidade de propagação, tem-se optado, sobretudo, por aplicar um confinamento das aldeias na linha do incêndio, impedindo o movimento de viaturas e pessoas nessas localidades.

Apesar disso, até ao momento, já foram retiradas 20 a 30 pessoas de aldeias de Oleiros, referiu, estando a ser preparado um plano de evacuação para algumas localidades.

O incêndio começou na tarde de domingo em Proença-a-Nova e estendeu-se aos concelhos de Castelo Branco e Oleiros.

/ RL