Uma pessoa morreu, esta manhã, num incêndio num prédio em São Domingos de Rana, no concelho de Cascais. As chamas deflagraram no primeiro andar desta habitação, muito perto do Centro de Saúde da zona. 

Ao que a TVI24 apurou, existem ainda registo de 13 feridos ligeiros, quatro deles crianças com idades compreendidas entre um mês e 10 anos. Dos 11 adultos que ficaram feridos, dois deles são agentes da PSP. Foram todos socorridos por excesso de inalação de fumo.

A vítima mortal é uma mulher de 60 anos.

Criança conta como escapou

Gonçalo, de apenas de 11 anos, que se encontrava sozinho em casa a dormir, contou à TVI24 como conseguiu escapar às chamas. 

Quando eu me levantei estava pouco fumo (...) tentaram arrombar a porta, eu abri a porta, tiraram-me dali e tive de suster a respiração para não sufocar com o fumo", contou. 

Justino Pereira foi o herói no meio da tragédia. Além de ter conseguido salvar os seus próprios filhos, apercebeu-se de Gonçalo na janela de casa a pedir socorro, decidiu intuitivamente escalar o prédio até ao terceiro andar, e conseguiu salvá-lo.

Não me queriam deixar subir, tive que subir pelas janelas até ao terceiro andar, encontrei muito fumo e o miúdo já estava a perder forças". 

No entanto, lamentou a falta de reação da polícia e dos bombeiros. 

Chegou a polícia e os bombeiros, mas estavam só a olhar não estavam a fazer praticamente nada e não tomaram nenhuma decisão", afirmou.  

Tentou sair com o menino pela janela da cozinha, mas os bombeiros acabaram por descer com ele pelas escadas. 

Homem que salvou criança tentou socorrer mulher que morreu

Ainda chegou a entrar no quarto da vítima mortal com o filho da mesma, mas com a imensidão de fumo e sem luz não conseguiram ver nada.

Tentámos várias vezes, não conseguimos porque não conseguíamos respirar".

No ato coragem, Justino acabou por ficar ferido na pão e no pé, acabando por receber assistência hospitalar.

O alerta para o incêndio, que já se encontra extinto, foi dado às 9:14 e no local estavam 48 operacionais e 19 viaturas do INEM e bombeiros.

A Proteção Civil disse que já foi feita uma avaliação do estado de habitabilidade dos andares afetados pelo incêndio. A empresa fornecedora de gás também procedeu à verificação sobre se há condições de segurança para os moradores poderem regressar às suas casas. No entanto, a família da vítima mortal não poderá regressar à sua habitação: "A fração afetada pelo incêndio não está em condições de habitabilidade, vão para uma IPSS referenciada no concelho, e será assumido pelo município". 

Ao que tudo indica, este incêndio teve origem num aquecedor que se encontrava no quarto da mulher que acabou por morrer. O Comandante Francisco Alves, da Polícia de Segurança Pública, afirmou que já foram enviadas equipas de investigação criminal para o terreno. O caso está entregue à Polícia Judiciária.

Cláudia Évora Carolina Resende Matos / Última atualização às 15:11