Pelo menos 604 operacionais estão a combater o incêndio que deflagrou em Castro Marim, tendo sido deslocadas durante a madrugada dezenas de pessoas, "por precaução", disse à Lusa fonte da Proteção Civil.

Foram deslocadas 58 pessoas para as zonas de apoio à população", em "povoados dispersos" e em "diferentes pontos do teatro de operações", disse à Lusa fonte do comando regional do Algarve.

Além destas, "houve mais pessoas que se deslocaram pelos seus próprios meios para casa de familiares e amigos", acrescentou.

Esta manhã, à TVI, fonte do CDOS disse que foram mais de 60 as pessoas retiradas de casa em Castro Marim e Tavira até às 4:00, sendo provável que entretanto tenham sido mais.

Foram criadas duas zonas de apoio à população, no Azinhal, Castro Marim, e em Tavira.

O incêndio, que progredia com uma "rapidez fulminante", de acordo com um balanço realizado antes da meia-noite, mantém-se "ativo com intensidade", estando o reforço de meios a ser concentrado "na frente sul e no flanco direito, na zona sudoeste", precisou a mesma fonte.

O fogo já tinha entrado nos concelhos de Tavira e Vila Real de Santo António ao início da noite, sendo a prioridade dos bombeiros travar a expansão a sul, onde existe mais população, disse, no último balanço, antes da meia-noite, o comandante das operações.

O incêndio deflagrou à 01:05 de segunda-feira e chegou a ser dado como dominado pelas 10:20, mas o “quadro meteorológico severo”, com altas temperaturas e vento, estiveram na origem de uma “reativação muito forte, em pleno período crítico do dia, junto à cabeça/flanco direito do incêndio original, e este ficou rapidamente fora da capacidade de extinção”, explicou o comandante operacional regional de Faro, Richard Marques.

Para termos ideia, estamos a falar de um incêndio que evolui dois quilómetros por hora, o que representa uma taxa de expansão média de 200 hectares por hora, sendo que nas últimas horas, nas horas subsequentes à reativação, este valor foi o dobro, portanto estamos a falar de um incêndio que evolui com rapidez fulminante”, disse.

Durante o combate às chamas, um bombeiro ficou com queimaduras e foi helitransportado para o hospital, mas encontra-se estável, indicou o responsável.

O fogo obrigou a cortar a A22 entre os nós de Castro Marim e Altura, assim como a Estrada Nacional 125, entre Conceição de Tavira e Vila Nova de Cacela.

A EN 125 foi entretanto reaberta, às 22:37, continuando no entanto com circulação "condicionada", devido à passagem dos meios de combate ao fogo, segundo o comando regional do Algarve, mantendo-se a A22 encerrada.

Pelas 11:00, as autoridades farão um novo ponto da situação, no Azinhal, no concelho de Castro Marim.

/ JGR