Quatro meios aéreos combatiam esta segunda-feira, cerca das 12:00, uma frente de fogo com 1,5 quilómetros de extensão que lavra na Serra Amarela, Lindoso, Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), em Ponte da Barca, disse hoje o presidente da câmara.

O nevoeiro que se fez sentir ao início da manhã desta segunda-feira impediu o uso de meios aéreos no combate a um incêndio que lavra desde sábado, em Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo.

Já estão a operar meios aéreos, um ligeiro e um pesado. Tal como no domingo, houve forte nevoeiro durante a manhã, o que impediu que tivessem começado a operar mais cedo", referiu o Augusto Marinho.

Num ponto de situação feito à agência Lusa cerca das 12:00, o autarca social-democrata, Augusto Marinho (PSD), disse que "os meios aéreos são fundamentais neste tipo de terreno montanhoso, muito difícil, e que impede a progressão de meios terrestres".

Os meios aéreos são muito importantes para estes homens que estão perante condições muito difíceis e exigentes. Está a ser feito um trabalho notável por estes operacionais", destacou, referindo-se aos "cerca de 170 operacionais e 50 viaturas" que estão a combater o incêndio.

Augusto Marinho adiantou ter questionado o comandante operacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), sobre os meios aéreos disponibilizados para o combate ao incêndio e disse ter recebido a informação que "têm sido empenhados os meios solicitados".

O senhor comandante referiu-me que os meios aéreos que tem solicitado têm sido disponibilizados. Apesar dos meios aéreos serem importantes no combate às chamas, devido à extensão do incêndio e ao terreno onde lavra, também não podemos ter um excesso de meios a operar, por poderem criar problemas de segurança", sustentou.

Segundo Augusto Matinho, a "frente de fogo que lavra na Serra Amarela, no Lindoso, reduziu a sua extensão, atingindo cerca de 1,5 quilómetros", dando ainda nota de "muitos reacendimentos" e na necessidade de "segurar" o incêndio para que não atinga a Mata de Cabril.

Estamos a fazer tudo para conter o incêndio, evitando que chegue à Mata do Cabril que é um património natural riquíssimo. É uma área de proteção integral existente dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), que tem uma grande riqueza natural e uma grande biodiversidade", sublinhou.

O autarca disse ainda ter "registado com agrado a preocupação" manifestada pelo ministro da Administração Interna e pelo presidente da República.

O senhor ministro tem ligado para fazer o ponto de situação. Com toda a certeza tem canais dentro da estrutura da ANEPC para receber informação com mais detalhe, mas registo com agrado esta preocupação com os autarcas que estão no terreno. O senhor Presidente da República também me ligou. É importante sentirmos por parte do Governo e dos outros órgãos de soberania este apoio", sublinhou.

Estamos a falar de uma linha com pequenos focos de incêndio, em zonas inacessíveis e, como não sabemos o comportamento que esses pequenos focos podem provocar, não temos o incêndio dominado”, disse o responsável, adiantando que no terreno estão “mais de 100 homens, apoiados por mais de 30 viaturas”.

Paulo Santos explicou que as viaturas “não conseguem aceder aos locais do incêndio”, que terá de ser extinto “por meios terrestres, com equipas apeadas, como as que ainda durante dia de ontem [domingo] foram largadas no terreno com recurso a helicópteros, que os colocaram o mais próximo possível” do fogo.

São locais quase inacessíveis, [que estão] a entre 800 a 1.000 metros de altitude”, acrescentou.

O fogo, em Lindoso, no concelho de Ponte da Barca, chegou a ser combatido por 10 meios aéreos durante a tarde de domingo. Pelas 08:40, segundo a página da ANEPC, mobilizava 108 operacionais, apoiados por 35 veículos.

O secretário de Estado da Conservação da Natureza revelou no domingo que o incêndio no Parque Nacional Peneda-Gerês já tinha consumido cerca de 200 hectares, mas que os principais esforços de proteção se centram na Mata do Cabril.

Estamos a fazer tudo para que não chegue à zona de proteção total que é a Mata do Cabril. Aí, sim, temos enormes valores ambientais. É o ‘ex-libris’ daquele parque nacional, que é o único que temos”, disse no domingo o responsável, em declarações à agência Lusa.

Do lado espanhol, dados da Junta da Galiza apontam para 400 hectares ardidos.

No combate às chamas em Lindoso, no sábado, um piloto português morreu e um piloto espanhol ficou gravemente ferido quando o avião 'Canadair' português em que seguiam se despenhou em território espanhol, a cerca de dois quilómetros da fronteira.

O copiloto do avião 'Canadair' está "estável e fora de perigo", segundo fonte do hospital de Braga.

. / HCL (atualizado às 13:14)