O número de arguidos no inquérito relacionado com os incêndios de Pedrógão Grande, norte do distrito de Leiria, que provocaram 66 mortos, aumentou para dez, informou hoje a Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra (PGDC).

“Neste momento, o processo tem dez arguidos, todas pessoas singulares”, refere a informação disponível no sítio na Internet da PGDC.

Os quatro novos arguidos são o ex-vice-presidente da Câmara de Pedrógão Grande, José Graça, a Engenheira Margarida Gonçalves da Proteção Civil, António Castanheira, encarregado geral da Câmara Municipal de Pedrógão Grande e ainda um funcionário da EDP.

Segundo a mesma informação, “no âmbito deste inquérito foram realizadas inúmeras diligências, sobretudo de caráter pericial e foram ouvidas mais de duas centenas de testemunhas”.

“Constituíram-se como assistentes 12 pessoas”, adianta a PGDC, esclarecendo que “as diligências prosseguem, encontrando-se o inquérito em estado avançado de investigação, sendo previsível a conclusão do mesmo no prazo de dois meses”.

No inquérito, em segredo de justiça, o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária, investigando-se “factos suscetíveis de integrarem os crimes de homicídio por negligência e ofensas corporais por negligência”, explicou em maio a PGDC.

Em junho de 2017, os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande, norte do distrito de Leiria, provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, e que acabou também por morrer. Houve ainda mais de 250 feridos.

Em 02 de maio, a PGDC anunciou que o número de arguidos naquela data eram seis.

“O inquérito relativo aos incêndios de Pedrógão Grande tem seis arguidos. Dois haviam sido constituídos em dezembro último [de 2017]. Os restantes quatro, três deles ligados à área de gestão de combustíveis e um às operações de comando de combate ao incêndio, foram constituídos e interrogados como arguidos nos últimos dias de abril”, anunciou na ocasião.

No mesmo dia, num esclarecimento enviado à agência Lusa, a Ascendi Pinhal Interior informou ter “conhecimento de que dois dos seus colaboradores afetos a esta subconcessionária foram ouvidos em interrogatório e constituídos arguidos no âmbito da investigação” aos incêndios de Pedrógão Grande e concelhos limítrofes.

Em dezembro de 2017, foram constituídos arguidos o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, e o segundo comandante distrital de Leiria, Mário Cerol.

Cláudia Rosenbusch / LCM