A GNR mandou evacuar na tarde deste domingo a praia fluvial de Cardigos, freguesia do concelho de Mação, distrito de Santarém, devido à rápida aproximação das chamas ao local e ao centro da localidade.

Pelas 16:15, ao chegar ao local, a agência Lusa constatou várias viaturas a abandonarem rapidamente a praia fluvial e a fazer sinal de luzes e a buzinar para que os carros que seguiam em sentido contrário, fizessem inversão de marcha.

Em declarações à Lusa, o responsável pelo espaço de lazer que existe na praia fluvial de Cardigos, Armindo Dias, contou que durante a manhã a praia foi frequentada por “cerca de 1.300” pessoas.

Armindo Dias estava à espera de um carro de bombeiros que tardava a chegar, tendo afirmado que se essa viatura não chegasse nos próximos minutos, ele próprio teria de abandonar o local devido à proximidade das chamas.

No centro da freguesia de Cardigos, as pessoas mostravam-se preocupadas com o aproximar das chamas.

Cerca das 16:30, Jorge Fernandes Dias, residente em Chaveira, localidade situada a cerca quatro quilómetros de Cardigos, assumia estar “preocupado”, uma vez que não sabia se poderia regressar à sua casa.

Pelas 16:50, chegaram viaturas de bombeiros a Cardigos, freguesia que está tomada pelo fumo negro, enquanto a população se concentra no centro da localidade.

No local são visíveis dois focos de incêndio.

15 aldeias ameaçadas

O incêndio que mobiliza mais meios é o que deflagrou ao início da tarde de sábado no concelho de Vila de Rei (Castelo Branco) e depois passou para Mação (Santarém), estando as chamas a ser combatidas por 829 operacionais, apoiados por 249 viaturas e 15 meios aéreos.

Quinze aldeias das 23 existentes na freguesia de Cardigos, Mação, estavam esta tarde em perigo, por causa das chamas que lavram naquele concelho do distrito de Santarém, disse à Lusa o vice-presidente da autarquia.

Provavelmente, das 23 aldeias da freguesia [de Cardigos] neste momento, 15 estarão em perigo", afirmou António Louro, vice-presidente da autarquia com o pelouro da Proteção Civil, em declarações registadas cerca das 17:00.

Entre as aldeias e lugares ameaçados pelas chamas, António Louro nomeou Cardigos, a sede de freguesia, Freixoeiro, Carvalhal, Corujeira, Roda ou Portela dos Povos, entre outras.

Quando prestou declarações à Lusa, António Louro estava precisamente na zona de Cardigos - localizada numa espécie de enclave no norte do município de Mação, rodeado pelo distrito de Castelo Branco (concelhos de Vila de Rei, Sertã e Proença-a-Nova) - onde o incêndio que começou ao início da tarde de sábado em Vila de Rei permanece ativo.

Na ocasião, os meios da Proteção Civil municipal estavam a ajudar a posicionar máquinas de rasto "para combate direto" ao incêndio, explicou.

António Louro disse ainda que dos 30% restantes da área florestal do concelho de Mação, cerca de 07.000 hectares que sobreviveram às chamas em 2017, "agora já ardeu cerca de 60%", mais de quatro mil hectares.

O autarca revelou ainda que a "grande preocupação" tem sido defender as habitações face à proximidade das chamas e à violência do incêndio e que alguns habitantes de localidades mais isoladas, nomeadamente os mais idosos e vulneráveis "foram retirados".

Em alguns locais não foi possível fazer todas as operações com a antecedência desejada", assinalou o autarca, lembrando, no entanto, que "a casa das pessoas, quando as habitações têm boas condições e são mais recentes, é o sitio mais seguro".

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