A Guarda Nacional Republicana investigou este ano 542  incêndios florestais com origem em queimas e queimadas, que provocaram três vítimas mortais, avançou esta quarta-feira à Lusa a corporação.

Numa resposta enviada à agência Lusa, a GNR indica que, entre 1 de janeiro e 24 de março, o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) daquela força de segurança investigou 1.067 incêndios com origem em queimas e queimadas.

O SEPNA da GNR é a entidade que detém a responsabilidade da investigação das causas de incêndio rural.

A GNR sublinha também que, no mesmo período, registou três vítimas mortais devido à realização de queimas de sobrantes.

Os dados mais recentes indicam que Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) registou, entre 1 de janeiro e 17 de março, 1.344 incêndios, que provocaram 1.608 hectares de área ardida.

A Lusa pediu dados mais atualizados à ANPC, mas ainda não obteve resposta.

O Governo proibiu a realização de queimadas em todo o território nacional até domingo, dia 31 de março, uma vez que as previsões meteorológicas apontam para um “agravamento do risco de incêndio florestal” no país.

Os ministros da Administração Interna e da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural assinaram na terça-feira o despacho que determina a Declaração da Situação de Alerta.

O despacho proíbe a “realização de queimadas, de queimas de sobrantes de explorações agrícolas e florestais e de ações de gestão de combustível com recurso à utilização de fogo”, refere um comunicado divulgado pelos dois ministérios.

O documento acrescenta que no âmbito da Declaração da Situação de Alerta serão ainda implementadas as medidas de caráter excecional de dispensa dos trabalhadores dos setores público e privado “que desempenhem cumulativamente as funções de bombeiro voluntário”, bem como a “elevação do grau de prontidão e resposta operacional” por parte da GNR e da PSP, com reforço de meios para operações de vigilância, fiscalização, patrulhamentos e de apoio às operações de proteção e socorro que possam vir a acontecer.

Esta situação de alerta abrange todos os distritos do continente entre as 00:00 desta quarta-feira e as 23:59 de domingo.

Em declarações aos jornalistas no aeroporto militar de Figo Maduro, antes da partida do avião da Força Aérea espanhola que transporta ajuda humanitária portuguesa para Moçambique, o comandante operacional da ANPC, Duarte Costa, alertou as pessoas “para não terem comportamentos de risco, não fazerem queimadas, não propiciarem com os seus comportamentos nada que possa provocar incêndios” devido às condições meteorológicas”.

Temos o dispositivo preparado, temos feito o nosso planeamento mas as condições meteorológicas não têm ajudado e, por isso, é muito importante que a resposta que o povo português tem dado até este momento, que tem sido fantástica, continue sempre dentro dos parâmetros da segurança para nós providenciarmos também segurança aos portugueses e aos seus bens”, afirmou, sublinhando que se está a viver um período difícil.

Já houve mais de dois mil fogos desde o início do ano

Já foram registados mais de dois mil incêndios rurais este ano, tendo ocorrido o maior número de fogos nos distritos do Porto e de Vila Real, avançou esta quarta-feira à Lusa a Proteção Civil.

Segundo a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), ocorreram em Portugal continental 2.045 incêndios rurais desde 1 de janeiro.

A ANPC indica que o distrito com maior número de ocorrências de fogo foi o Porto, com o 266, seguido de Vila Real (260), Viseu (242), Braga (241), Viana do Castelo (190), Aveiro (136) e Lisboa (132).

Por sua vez, os distritos com menor número de fogos rurais foram Portalegre (17) e Évora (21).

A ANPC refere ainda que se registaram 88 incêndios em Leiria, 82 em Santarém, 74 na Guarda, 59 em Faro, 67 em Bragança, 57 em Coimbra, 42 em Beja e 34 em Castelo Branco.