Os 7.192 incêndios rurais que deflagraram até 15 de agosto provocaram mais de 26.000 hectares da área ardida, o segundo valor mais reduzido do número de fogos e de área ardida dos últimos dez anos, segundo dados oficiais.

O segundo relatório provisório de incêndios rurais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas ICNF deste ano indica que foram detetados, de 1 de janeiro a 15 de agosto, 7.192 incêndios rurais, dos quais resultaram 26.198 hectares de área ardida, um valor menor do que os 34.819 hectares ardidos em igual período de 2018.

Comparando os dados referentes aos últimos 10 anos, registaram-se menos 43% dos incêndios rurais e menos 63% da área ardida tendo em conta a média anual, o que representa o segundo mais reduzido valor de ambos os indicadores.

Dos 26.198 hectares de área ardida, 13.901 hectares foram em povoamentos florestais, 8.767 hectares em matos e 3.530 em terrenos de agricultura.

O relatório provisório indica ainda que foram investigados 73% do número total de fogos (5.229) responsáveis por 49% da área total ardida.

A investigação permitiu atribuir uma causa a 3.488 incêndios (69%), que foram responsáveis por 40% da área ardida até 15 de agosto.

O documento sublinha que entre as causas mais frequentes está o fogo posto, responsável por quase um quarto (23%) dos incêndios investigados e sendo os restantes 22% devido a queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas.

As várias tipologias de queimadas e queimas representam 44% das causas apuradas, precisa o relatório.

84% dos fogos provocaram menos de um hectare de área ardida

Mais de 80% dos 7.192 incêndios rurais que deflagraram este ano até 15 de agosto, provocaram menos de um hectare de área ardida, indicam dados oficiais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

No capítulo referente à distribuição do número de incêndios rurais por área ardida, o relatório provisório do ICNF mostra que 84% dos incêndios provocaram uma área ardida inferior a um hectare (ha) e que até 15 de agosto uma ocorrência provocou uma área ardida superior ou igual a 10 mil hectares (Vila de Rei, 20 de julho).

O documento indica ainda que 34 dos fogos estão enquadrados na categoria de grandes incêndios (área total igual ou superior a 100 hectares), dos quais resultaram em 17.379 hectares de área ardida, cerca de 66% do total.

Da análise por distritos afetados destaca-se o Porto, onde deflagraram 1.136 fogos, seguido de Lisboa com 600 e Braga com 563, com a ressalva para a área ardida ser menor que um hectare na sua maioria.

O distrito que teve maior área ardida foi Santarém, com 6.084 ha, representando 23% da área total ardida até 15 de agosto, seguido de Castelo Branco com 5.564 hectares (21% do total) e de Beja com 1.991 hectares (8% do total).

Entre os 20 concelhos mais afetados pelos fogos, que totalizam 66% da área total ardida, 17 situam-se a norte do Rio Tejo, totalizando 26% do número total de ocorrências e 10% da área total ardida.

O mês de julho foi o mais afetado por incêndios rurais, com um total de 1.626 fogos, 23% do número total registado desde janeiro.