O número de casos confirmados de covid-19 em Portugal era de 29,1 por cada 10 mil habitantes na quarta-feira, um aumento de 12% em relação a 6 de maio, segundo dados do INE divulgados esta sexta-feira.

“O número de casos confirmados com a doença covid-19 por 10 mil habitantes foi acima do valor nacional em 53 municípios”, refere também a publicação do Instituto Nacional de Estatística (INE) “Covid-19: Uma leitura territorial do contexto demográfico e do impacto socioeconómico”.

Na região Norte, 36 municípios registaram um valor acima do valor nacional, destacando-se o conjunto de municípios contíguos da Área Metropolitana do Porto com mais de 50 casos confirmados por 10 mil habitantes: Valongo, Matosinhos, Maia, Gondomar, Porto, Santo Tirso e Vila Nova de Gaia.

Também alguns municípios das regiões Centro (12), da Área Metropolitana de Lisboa (Lisboa, Loures e Amadora), Alentejo (Moura) e Região Autónoma dos Açores (o município de Nordeste) apresentavam valores acima do valor nacional.

“Apesar desta diferenciação, o coeficiente de localização estimado para os dias 25 de março e 20 de maio sugere uma redução da concentração territorial dos casos”, refere o INE.

Dos 53 municípios com um número de casos confirmados por 10 mil habitantes acima do valor global para Portugal, 36 apresentavam também valores de densidade populacional acima da média nacional.

Destes 36 municípios, destacavam-se, com mais de 50 casos confirmados por 10 mil habitantes, o município de Ovar (120,0), na Região de Aveiro, o município de Condeixa-a-Nova (87,0) na Região de Coimbra, os municípios de Valongo (77,4), Vale de Cambra (72,0), Matosinhos (71,4), Maia (66,9), Gondomar (64,1), Porto (62,6), Santo Tirso (56,9) e Vila Nova de Gaia (50,8).

Na Área Metropolitana do Porto, foram os municípios de Felgueiras (69,9), Lousada (67,1) e Paços de Ferreira (52,5) no Tâmega e Sousa, o município de Braga (65,4) no Cávado, e o município de Vizela (53,4) na sub-região do Ave, que mais se destacaram.

À semelhança do município do Porto, o município de Lisboa tem uma elevada densidade populacional, registando, a 20 de maio, um total de 41,4 casos confirmados por 10 mil habitantes.

O INE salienta ainda que 179 dos 308 municípios do país apresentavam um número de casos confirmados por 10 mil habitantes e densidade populacional abaixo da referência nacional.

O número de casos confirmados de covid-19 considerados pelo INE tem por base a informação divulgada para o total do país e por município no ‘Relatório diário de Situação Covid-19’ da Direção-Geral da Saúde.

Mais 1.964 mortes face a 2019

Portugal registou entre 1 de março e 10 de maio mais 1.964 mortes que no período homólogo de 2019 e mais 878 comparativamente a 2018, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os dados preliminares do INE, que dizem respeito à mortalidade geral (todas as causas de morte) no país, explicam que “o aumento relativamente a 2019 resulta sobretudo do acréscimo dos óbitos em pessoas com 75 e mais anos (+ 1.893)”.

No período analisado, foram registadas 23.073 mortes (224,2 óbitos por 100 mil habitantes) em 2018, 21.987 (214,0 por 100 mil habitantes) em 2019 e este ano 23.951 (232,7 por 100 mil habitantes).

Relativamente à faixa etária dos 75 ou mais anos, os dados do INE precisam que em 2018 foram registados 16.636 óbitos (1.552 por 100 mil habitantes), 15.570 (1.431,6 por 100 mil habitantes) em 2019 e 17.463 (1.574,9 por 100 mil habitantes) este ano.

Analisando as últimas quatro semanas (entre 6 de abril e 10 de maio de 2020), o INE refere que em 172 dos 308 municípios portugueses, o número de óbitos foi superior ao valor homólogo de referência (média do número de óbitos para o mesmo período em 2018 e 2019).

Deste conjunto, destacam-se 42 municípios que registaram um número de óbitos 1,5 vezes superior ao valor registado no período homólogo de referência, refere o INE, ressalvando que esta informação tem caráter preliminar e será sujeita a atualização posterior.

Para os restantes 136 municípios (44% do total de municípios) o número de óbitos registados nas últimas quatro semanas foi igual ou inferior ao observado no período de referência, adianta a publicação do Instituto Nacional de Estatística “Covid-19: Uma leitura territorial do contexto demográfico e do impacto socioeconómico”.

Esta informação é obtida a partir dos dados do registo civil (assentos de óbito) apurados no âmbito do Sistema Integrado do Registo e Identificação Civil (SIRIC).

Portugal "dentro da curva programada para a mortalidade"

Graça Freitas afirmou que Portugal está “dentro da curva programada para a mortalidade”, analisando a subida registada tanto em ligação com Covid-19, mas também lembrando que os primeiros meses do ano registaram menos mortes.

Nos primeiros meses este ano tivemos uma mortalidade muito baixa. Tivemos um inverno muito ameno e uma atividade gripal pouco intensa. Janeiro e fevereiro foram meses com muitos poucos óbitos por comparação com períodos homólogos nos últimos cinco anos”, começou por dizer Graça Freitas, para depois garantir que agora se está dentro, outra vez, “dos valores esperados para a época”.

“E dentro da curva programada para a mortalidade (…). A pequena subida que se verificou em abril e que contribuiu para esse número deve-se a mortes covid e a mortes por todas as outras causas. Temos de ver isto no continuo entre o início do ano e a data atual e vendo que os primeiros meses tiveram muito pouca mortalidade. Agora estamos dentro, outra vez, dos valores esperados para a época e dentro da curva programada para a mortalidade”, referiu a diretora-geral da Saúde.

Instada a comentar os dados do INE, na conferência de imprensa diária de ponto de situação sobre a pandemia Covid-19 em Portugal, Graça Freitas disse que nas mortes “não covid” não houve registo de alguma situação “em específico”.

Em abril tivemos um pequeno pico de mortalidade sobretudo em pessoas mais idosas e neste pequeno pico estão incluídos casos covid e outras situações não covid, nenhuma em específico. Neste momento a mortalidade – comparada com os períodos homólogos e com o intervalo de confiança – está completamente dentro dos valores e parâmetros esperados”, frisou Graça Freitas.

Ao comentar os dados do INE, Graça Freitas aproveitou para fazer uma análise da curva epidemiológica atual em Portugal, afirmando que “nos últimos dias” foi “estabilizado” o número de novos casos por dia na ordem dos 200 e 300 e que, tirando a “situação muito concreta” na Azambuja “com um surto grande e dois pequeninos”, os restantes novos casos “são coisas localizadas”.

E depois há uma transmissão comunitária no resto do país que já foi mais intensa. Neste momento o Norte tem o número de casos estabilizados e menor do que teve no passado. A região Centro melhorou muito. As regiões do Algarve e do Alentejo praticamente não têm apresentado novos casos. Na região de Lisboa e Vale do Tejo concentra-se atualmente a maioria dos casos. Esta é a situação que estamos a acompanhar com mais cuidado”, disse Graça Freitas.

Segundo a diretora-geral, nos casos “territorialmente dispersos” a origem da infeção e transmissão tem sido “familiar” e “dentro da habitação”.

O padrão em Lisboa tem alguma associação a pessoas mais jovens e mais saudáveis, a gravidade não tem sido muito maior do que foi no passado”, concluiu.

/ AM-Atualizada às 16:08