O número de fumadores baixou em Portugal entre 2014 e 2019, mas aumentou o consumo arriscado de bebidas alcoólicas, revela o Inquérito Nacional de Saúde divulgado esta sexta-feria pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo os dados do INE, em 2019, 17% da população com 15 ou mais anos era fumadora, menos 3,0 pontos percentuais (p.p.) que em 2014, e 21,4% era ex-fumadora. A maioria, 61,1%, nunca tinha fumado.

Os resultados do Inquérito Nacional de Saúde (INS) 2019 evidenciam ainda que 1,3 milhões de pessoas (14,2%) fumavam diariamente e 248 mil faziam-no ocasionalmente (2,8%).

Cerca de metade dos fumadores regulares consumiam até 10 cigarros por dia, mas no caso dos homens prevalecia o consumo diário de 11 a 20 cigarros (50,3%), refere o estudo realizado pelo INE com base numa amostra representativa de 22.191 alojamentos de todo o país.

Os dados referem ainda que “a percentagem de mulheres que referiram nunca ter fumado (75,3%) superava largamente a percentagem de homens na mesma condição (44,8%)”.

Relativamente ao consumo de bebidas alcoólicas, o inquérito revela que quase 30% da população consumia bebidas alcoólicas diariamente, apesar de se ter registado uma diminuição de 5 p.p. em relação a 2014.

Contudo, aumentou o número de pessoas que disseram ter consumido seis ou mais bebidas alcoólicas numa única ocasião ou evento (consumo arriscado) pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores, totalizando 2,6 milhões, o correspondente a 42,8%.

Este resultado reflete um aumento de cerca de 9,6 p.p. relativamente a 2014 (33,2%) mais evidente nas mulheres (30,3% em 2019 e 18,1% em 2014)”, sublinha o inquérito.

Contudo, tal como em 2014, estes consumos têm maior expressão na população masculina, cerca de o dobro em 2019 (em 2014 era mais do triplo).

Os dados apontam que cerca de 6,2 milhões de pessoas (69,4%) com 15 ou mais anos referiram ter consumido bebidas alcoólicas nos 12 meses anteriores à entrevista, sendo que 1,8 milhões fizeram-no diariamente (29,6%), 1,9 milhões (31,4%) consumiram regularmente mas não todos os dias e 1,0 milhões (17,0%) apenas ocasionalmente.

Comparativamente com os resultados de 2014, o consumo diário de bebidas alcoólicas diminuiu 5 p.p. (34,5% em 2014), tendência transversal a homens e mulheres mas mais evidente nos grupos etários mais elevados”, indica o INE.

Em 2019, o consumo diário foi mais frequente na população entre os 55 e os 74 anos (cerca de 34% da população daquelas idades).

Por sexo, 40,3% dos homens consumiram bebidas alcoólicas diariamente, enquanto mais de metade das mulheres fizeram-no com uma regularidade mensal ou só ocasionalmente.

O Inquérito Nacional de Saíde tem como objetivo principal “caracterizar a população residente com 15 ou mais anos em três grandes domínios: estado de saúde, cuidados de saúde e determinantes de saúde relacionadas com estilos de vida”.

Consumo de álcool de forma intensiva em crescimento entre as raparigas

O consumo de álcool de forma intensiva ou até atingir um estado de embriaguez severa está a aumentar mais entre as raparigas, mas estes comportamentos continuam a ser mais prevalentes nos rapazes.

“Embora as variações anuais sejam ligeiras delineia-se uma tendência de incremento do consumo ‘binge’ e da embriaguez severa entre 2015 e 2019 nos jovens de 18 anos”, lê-se no relatório.

O crescimento dos consumos de forma intensiva de álcool (consumo ‘binge’, ou seja, de cinco ou mais bebidas numa única ocasião para raparigas, ou de seis ou mais para rapazes) verifica-se desde 2015, ano do primeiro inquérito, assim como o consumo conducente a embriaguez severa.

Ainda que sejam comportamentos mais habituais entre os rapazes, é entre as raparigas que mais tem crescido: entre 2015 e 2019 o consumo ‘binge’ cresceu 12 pontos percentuais, dos 36,2% para os 48% entre as raparigas, tendo os consumos até uma situação de embriaguez severa aumentado 10 pontos percentuais, dos 21,6% para os 31,4% na série de cinco anos em análise.

Entre os rapazes, o crescimento destes comportamentos foi de cerca de 5% a 6%, respetivamente, com percentagens de 56,4% para consumo ‘binge’ em 2019 e de 37,8% para embriaguez severa.

Estes consumos mais intensivos tendem a ser pontuais no ano, predominando frequências de consumo inferiores a seis ocasiões”, lê-se no relatório, que refere também, ainda assim, que “entre os consumidores recentes de bebidas alcoólicas, cerca de 21% mencionam o consumo ‘binge’ em 10 ou mais ocasiões no ano e 8% referem ter-se embriagado severamente com esta frequência”.

De forma geral, ainda que os consumos de álcool sejam maioritariamente ocasionais entre os jovens de 18 anos, “cerca de metade bebeu pelo menos uma vez de forma ‘binge’ e cerca de um terço embriagou-se severamente”, segundo os resultados de 2019.

O inquérito do SICAD revela ainda que “21% dos participantes (24% dos consumidores de bebidas alcoólicas) experienciaram, nos 12 meses anteriores ao inquérito, problemas relacionados com o consumo destas bebidas, tendo sido as situações de mal-estar emocional e as relações sexuais desprotegidas as mais mencionadas”.

Em termos gerais, aos 18 anos apenas 10% dos inquiridos declarou não ter tido ainda qualquer contacto com bebidas alcoólicas.

/ CE - Notícia atualizada às 15:21