Um motorista de táxi de 53 anos entrou em paragem cardiorrespiratória, junto ao aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, tendo sido socorrido por elementos da Polícia de Segurança Pública, após o alerta dado por um motorista da Uber. O caso aconteceu na última terça-feira, pouco depois das 16:00.

O motorista seguia no sentido do Parque das Nações para o Aeroporto, quando se sentiu mal e parou o carro, junto à rotunda da BP.

“Parou o carro e caiu para cima do volante. Curiosamente, foi um motorista TVDE que deu o alerta. É bom que se saiba, para acabar de vez com a guerra entre taxistas e motoristas TVDE. Ia um carro da PSP a passar e parou. Quando os polícias se aperceberam, começaram de imediato as manobras de reanimação”, conta Mário Santos, irmão da vítima, em declarações à TVI.

Mário fez questão de agradecer publicamente aos agentes envolvidos, numa publicação no Facebook.

Mas o salvamento de Fernando Santos foi bem-sucedido, por causa de uma feliz conjugação de fatores. Toda a cadeia de salvamento foi seguida à risca, dois elementos policiais (um deles licenciado em enfermagem) chamaram o 112, enquanto iniciavam manobras de reanimação e outros dois dirigiram-se ao quartel dos Bombeiros Sapadores de Lisboa, que dista 300 metros do local do incidente, para pedir um Desfibrilhador Automático Externo (DAE).

“Dois elementos do quartel foram no carro da PSP até ao local com o desfibrilhador. Logo após o primeiro choque, a vítima apresentou sinais de recuperação. Continuava inconsciente, mas já apresentava sinais de melhoria”, relata o enfermeiro Ricardo Benedito, do Regimento de Sapadores Bombeiros e responsável pelo projeto ‘Coração de Lisboa’, que quer disseminar a implantação de DAE na cidade, bem como fornecer formação para utilização dos mesmos.

Todo o socorro a Fernando Santos foi feito em poucos minutos. Quando a Viatura Médica e de Reanimação (VMER) do Hospital de Santa Maria chegou ao local, tinham passado seis minutos depois da aplicação do primeiro choque com o DAE e nove minutos depois de dado o alerta.

A médica da VMER assumiu o suporte avançado de vida e, quando Fernando foi estabilizado, foi conduzido ao hospital. A TVI sabe que, “para já, não tem sequelas aparentes”. Apenas não tem qualquer memória daquele dia.

Fernando Santos é motorista de táxi há seis anos, depois de uma vida como motorista de pesados. Antes desta paragem cardiorrespiratória, já tinha tido dois enfartes do miocárdio.

O irmão, Mário Santos, também ele taxista, quer usar o exemplo de sucesso do irmão para reclamar mais DAE em pontos-chave da cidade. Nomeadamente na praça de táxis do aeroporto, onde passam “horas na mesma posição”.

“O meu irmão teve sorte. Nas últimas semanas, morreram dois colegas nossos em circunstâncias relacionadas com problemas cardíacos”, exemplifica.

Ricardo Benedito sublinha que Fernando Santos só está vivo porque os quatro elos da cadeia de sobrevivência foram respeitados na íntegra: “É fundamental o alerta para o 112, iniciar manobras de Suporte Básico de Vida, a desfibrilhação precoce e o suporte avançado de vida precoce.”