O risco de uma pessoa infetada com covid-19 vir a morrer é em Portugal de 2%.

No entanto, Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, lembrou também que uma vez que se calcula "que haja 3 vezes mais casos de infeção do que aqueles que são diagnosticados", a letalidade do vírus andará pelos 0,7.

Analisando os dados em Portugal, conclui-se que a maior probabilidade de morrer ocorreu nos primeiros meses da pandemia: março e abril de 2020, e depois em dezembro e janeiro já deste ano.

O risco é maior entre os homens do que entre as mulheres e aumenta muito com a idade (sobe para valores acima de de 20% na faixa etária acima dos 90 anos) e varia também de região para região: o risco de morrer é maior na região autónoma da Madeira, onde é cerca de metade - e é maior nas regiões do centro, Lisboa e vale do Tejo e Alentejo.

Henrique Barros centrou-se, depois, na análise dos dados relativos às infeções em crianças e jovens, sublinhando que "será nas idades escolares que vamos agora passar a encontrar as infeções, até por causa da escolha que fizemos de vacinação das idades mais avançadas".

Globalmente as crianças e adolescentes têm um risco menor de infeção e embora a evidência não seja forte parece terem também um papel menor na transmissão, afirma este especialista.

A frequência de infeção é igual em agregados com e sem crianças.

No entanto, esse risco existe e não pode ser descurado. Em Portugal as medidas de proteção e mitigação na comunidade escolar foram levadas muito a sério e isso fez toda a diferença, concluiu.

Quanto à efetividade da vacinação, a análise dos dados permite concluir sem evitar que este é um método eficaz para nos protegermos da doença, permitindo reduzir para cerca de metade a incidência do vírus.

A vacinação mostrou-se claramente um papel determinante na prevenção da doença", afirmou Henrique de Barros.

Fazendo um balanço deste primeiro de infeção com a covid-19, Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, lembrou que "as mortes foram a primeira preocupação e foram elas que dirigiram muitas das nossas respostas" mas sublinhou que talvez "agora seja tempo de pensar nas consequências da infeção, a continuidade de sinais e sintomas da doença bem para lá dos três meses" em que a doença é dada como curada.

Maria João Caetano