Fechar ou não fechar as escolas? É um tema que está a dar que falar, mas até agora ainda não há nenhuma decisão. E será com base no que dizem os peritos do Infarmed que o Governo vai tomar uma decisão.

O primeiro especialista a falar do tema foi Baltazar Nunes, do Instituto Ricardo Jorge. O perito acredita que encerrar tudo menos os estabelecimentos de ensino fará descer o Rt (índice de transmissão), "mas se as escolas fecharem a redução é mais acentuada".

Os modelos matemáticos mostram-nos que um mês de medidas de redução de contactos e de escolas presenciais já traz o Rt para menos de 1. Mas se houver fecho das escolas na totalidade ou em alguns grupos, a redução é mais acentuada”, referiu Baltazar Nunes.

Por outro lado, se as medidas forem implementadas apenas durante duas semanas, "o R volta a aproximar-se de um, exceto o fecho das escolas, que tem um efeito prolongado no tempo".

Idades escolares não são a locomotiva da infeção

Sobre o mesmo tema, o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Henrique de Barros, afirmou que o pico das infeções ocorre agora na faixa etária entre os 20 e os 29 anos e que, portanto, não são as idades escolares a locomotiva das infeções".

O epidemiologista referiu ainda que “há uma ausência de surtos nos espaços escolares”, sejam escolas ou universidades.

"Os dados que temos dizem-nos que os surtos não ocorrem em escolas, mas sim em convívios fora desses espaços e isso é muito importante, sobretudo no espaço do ensino superior, onde tem havido uma preocupação muito grande, mas aqui não foram detetados surtos com contágios", destacou.

No sábado, depois das audições dos partidos em São Bento, o Governo confirmou que o país vai entrar num novo confinamento, semelhante ao de março e abril, mas não deu pormenores, nem adiantou se as novas medidas vão implicar o encerramento das escolas.

Lara Ferin