Henrique Barros, investigador do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, realça a importância de continuar a realizar testes à covid-19, por um lado para o conhecimento da dinâmica da infeção e, por outro lado, pela sua utilização no rastreio - "operação organizada para identificar pessoas que estão doentes mas ainda não sabem que o estão", para tentar "mudar a história da doença".

Do ponto de vista social o rastreio é importante: "o rastreio é capaz de retirar pessoas das cadeias de transmissão", diz este especialista.

Somos ou não somos capazes de identificar pessoas e evitar que elas "entrem" num determinado local levando a infeção -  e isto pode aplicar-se numa comunidade mas também em restaurantes, em espetáculos e noutros locais e eventos, pergunta o especialista.

Num momento em que "evoluímos de uma situação epidémica para uma situação de endemia com algum grau de sazonalidade", "a primeira grande decisão que temos de tomar é fazer uma maior vigilância às pessoas assintomáticas, às águas residuais e às superfícies".

Portanto, na opinião de Henrique Barros, os testes serológicos são fundamentais porque permitem compreender verdadeiramente a dinâmica da infeção, o número de pessoas assintomáticas mas que teve a infeção, saber qual a probabilidade de morrer ou de ser internado, entre outros dados.

"Aumentámos muito o número de testes a partir de fevereiro/março, com a possibilidade de acesso aos testes rápidos", congratulou-se este especialista.

A realização de testes rápidos, de testes antigénio e de testes PCR permite-nos também perceber a eficiência de cada um destes testes, e o modo como devem ser utilizados, uma vez que cada um deles nos dá um conjunto de informações diferentes. Por exemplo, podemos concluir que os testes antigénio são úteis para detar uma infeção que esteja ainda nos primeiros dias e com elevado risco de transmissão.

Concluindo, Henrique Barros diz: "Nós precisamos de continuar a avaliar a resposta imunitária e para isso os testes serológicos são indispensáveis. Necessitamos de vigiar e documentar o período de imunidade. E também podemos usá-los para saber o que se passa com potenciais falsos positivos e falsos negativos".

E finalmente os testes são úteis "para vigiar as pessoas". "Os testes são a resposta ideal", para perceber quem pode entrar em determinados locais e  "livram-nos de mandar para casa pessoas que não precisam de ir para casa". Numa perspectiva de saúde pública, os testes ajudam na tomada de decisão por partes das autoridades, diz.

Maria João Caetano