Durante a reunião do Infarmed desta terça-feira, o especialista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Manuel do Carmo Gomes, traçou as projeções para os próximos dias, tendo em conta a taxa média de novos casos por dia.

A última estimativa que temos da taxa média por dia é de oito de janeiro, com 6,5% por dia de aumento de novos casos, o que significa que de onze em onze dias iremos duplicar os casos", afirmou.

Adotando os pressupostos estatísticos, "se a situação permanecer com os atuais valores, a 19 de janeiro estaremos na zona dos 18 a 19 mil casos", continuou.

Mesmo que houvesse uma desaceleração do número de novos casos, como entre 16 e 28 de março de 2020, em confinamento total, aquilo que projetamos é que dificilmente evitaremos os 14 mil casos diários", completou.

O especialista afirma que, mesmo confinando como em março de 2020, levaremos apenas duas semanas a atingir os 14 mil casos diários, considerando que "acha que 14 mil casos diários não é aceitável".

No cenário hipotético de confinamento, semelhante ao da primeira vaga, o especialista afirma que levaríamos três semanas confinados para diminuir até aos sete mil casos diários. Sendo que, segundo os pressupostos estatísticos, precisaríamos de outras três semanas para diminuir os valores até aos 3.500 casos diários". 

O especialista deixa ainda claro que, na sua opinião, "teremos pela frente as semanas mais difíceis desta pandemia e que a única boa notícia é que, depois disto, só pode melhorar".

Quanto aos internamentos, Manuel do Carmo Gomes, afirma que dificilmente não serão ultrapassados os 700 internados nas unidades de cuidados intensivos, reiterando que "vamos ultrapassar essa linha". 

O especialista lançou também a projeção de que a 24 de janeiro, "teremos 154 óbitos e que dificilmente evitaremos as 140/150 mortes por dia". A confirmarem-se as projeções estatísticas, "o número de óbitos acumulados a 9 de fevereiro será de cerca de aproximadamente 12 mil".

Pico de número de testes na véspera de Natal, mas com baixa positividade

Manuel do Carmo Gomes destaca o pico de testagem, ocorrido a 24 de dezembro, de aproximadamente 57 mil testes em 24 horas. 

Quanto à taxa de positividade dos mesmos, de 8%, o especialista afirma que foi baixa "tendo em atenção aquilo que já se sabia sobre o possível aumento de contactos ocorrido antes do Natal". 

O especialista destaca ainda que "seria de esperar que a positividade não fosse tão baixa e chegasse aos 10%".

No entanto, na semana de Natal, o cenário mudou e segundo o especialista "há um aumento do número de pessoas que surge com sintomas, mas há uma diminuição no número de testes. Aparentemente há uma quantidade de pessoas que surgem com sintomas ou que pelo menos estavam positivas, mas que escapam ao nosso processo de testagem que devia acompanhar o número de novos casos que vão surgindo".

Diogo Assunção