Portugal registou 80 casos de roturas de implantes mamários da empresa Poly Implant Prothese (PIP), envolvendo 67 mulheres, após um dos maiores escândalos da saúde provocado pelo uso de um gel de silicone ilegal, segundo indicou o Infarmed, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, à agência noticiosa Lusa.

Os implantes PIP provocaram um escândalo em França. Em dezembro de 2011, as autoridades pediram às 30 mil portadoras desses implantes mamários, no país e no estrangeiro, que os retirassem como medida de precaução.

Mais tarde, as autoridades de saúde francesas anunciaram que 20 mulheres com implantes mamários da marca PIP declararam ter cancro.

Em todo o mundo foram cerca de 300 mil, as mulheres que colocaram próteses feitas com um gel de silicone não homologado. Destas, mais de cinco mil acabaram por apresentar queixa depois da rutura dos implantes.

SNS garante substituição

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) acompanhou o caso em França e começou por aconselhar as mulheres com implantes PIP a consultar um cirurgião ou médico assistente para exames de vigilância.

A 22 de dezembro de 2011, um comunicado deste organismo revelava que cerca de 3% de todas as próteses mamárias implantadas são da marca PIP, estimando-se que 1.500 a 2.000 portuguesas tenham as tivessem implantadas.

No início de 2012, o Ministério da Saúde anunciou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) asseguraria a substituição dos implantes mamários com problemas nas mulheres que os tivessem colocado nos serviços públicos e por razões de saúde.

Segundo o diretor-geral da Saúde, Francisco George, cada cirurgia para retirar os implantes mamários em mulheres que apresentem complicações deverá custar 1.300 euros ao SNS.

Novas regras europeias

No seguimento das cinco mil acusações, começou a ser julgado em 2013, em Marselha, o megaprocesso do escândalo dos implantes da empresa PIP, que fechara em 2010.

Cinco líderes da empresa foram julgados por burla e fraude agravada devido ao preenchimento dos implantes com um tipo de gel que comportava um alto risco de rutura das próteses.

O fundador da PIP, Jean-Claude Mars, de 73 anos, foi a personagem central deste processo, já que no início do século conseguiu fazer da pequena empresa o terceiro fornecedor mundial de implantes mamários.

Jean-Claude Mars admitiu ter enganado as pacientes mas recusou haver riscos para a saúde dos milhares de mulheres que os colocaram. Em 2016, foi condenado em segunda instância a quatro anos de prisão.

Esta quarta-feira, o Parlamento Europeu aprovou, em Estrasburgo, as novas regras propostas pela Comissão Europeia para controlo de dispositivos médicos, tais como implantes mamários, pacemakers e próteses da anca, de forma a torná-los mais seguros.

As novas regras têm como objetivo assegurar uma melhor rastreabilidade dos dispositivos médicos e fortalecer a supervisão dos organismos de certificação na União Europeia.

/ PD