O Infarmed anunciou esta quinta-feira que a síndrome de Guillain-Barré (SGB) vai passar a fazer parte dos efeitos secundários da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Johnson & Johnson, e que na União Europeia é comercializada pela Janssen.

A autoridade do medicamento frisa que este efeito secundário "indesejável" é "muito raro", e alerta profissionais de saúde e utentes para a possibilidade deste acontecimento.

A decisão surge na sequência do parecer do Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância (PRAC na sigla em inglês) da Agência Europeia do Medicamento, que avaliou os dados disponíveis e as informações existentes.

O PRAC analisou 108 casos de SGB notificados em todo o mundo, até 30 de junho, quando mais de 21 milhões de pessoas tinham já recebido esta vacina. Entre estes casos, houve um com desfecho fatal. Após avaliar os dados disponíveis, o PRAC considerou que é possível a existência de uma relação causal entre a vacina da Janssen e a SGB", revela o comunicado do Infarmed.

As pessoas vacinadas devem assim procurar o atendimento médico de imediato caso desenvolvam sintomas ou sinais sugestivos da síndrome, nomeadamente fraqueza nas extremidades, visão dupla ou dificuldade em mover os olhos.

A síndrome de Guillain-Barré é uma doença rara do sistema imunitário que causa inflamação dos nervos e pode levar à dor, dormência, fraqueza muscular e dificuldade em andar.

De acordo com o The New York Times, que cita fontes familiarizadas com o assunto, a Administração de Medicamentos e Alimentos (FDA, na sigla original), a agência governamental responsável pela aprovação da utilização de novos medicamentos, vacinas e outros produtos relacionados com a saúde pública, concluiu que as pessoas que receberam a vacina da Janssen têm três a cinco vezes mais probabilidades de desenvolver a síndrome de Guillain-Baré.

Os sintomas incluem:

  • visão dupla ou dificuldade em mover os olhos;
  • dificuldade em engolir, falar ou mastigar;
  • problemas de coordenação e instabilidade;
  • dificuldade em andar;
  • sensação de “formigueiro” nas mãos e pés;
  • fraqueza nos membros, tórax ou face;
  • problemas com o controle da bexiga e função intestinal.

Apesar dos problemas que esta vacina apresenta, o Infarmed e a Agência Europeia do Medicamento ressaltam que existem mais "benefícios" do que " riscos".

Redação / IC