O risco de morte por covid-19 é três a sete vezes menor nas pessoas com vacinação completa do que nas pessoas não vacinadas, indica o relatório das linhas vermelhas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), divulgado esta sexta-feira.

O relatório explica que a informação sobre o risco de morte, que é medido através da letalidade por estado vacinal, é referente a julho, mês com os dados consolidados mais recentes.

Mas o documento dá ainda outro dado relevante: metade das pessoas que morreram por causa da covid-19 em agosto tinham a vacinação completa: até 29 de agosto de 2021 ocorreram 96 óbitos (50%) em pessoas com um esquema vacinal completo contra a covid-19. Paralelamente, 63 óbitos (40%) foram pessoas não vacinadas e 18 óbitos (10%) em pessoas com vacinação incompleta.

A população mais vulnerável encontra-se quase totalmente vacinada, pelo que é esperado que a proporção de casos com esquema vacinal completo no total de óbitos aumente", pode ler-se no documento.

Mais de 29 mil pessoas vacinadas foram infetadas

Mais de 29 mil pessoas com a vacinação completa contra a covid-19 foram infetadas com o vírus SARS-Cov-2, o que representa 0,4% do total de vacinados, e 309 morreram, adiantaram as autoridades de saúde.

Desde o início do processo de vacinação contra a covid-19, foram identificados 29.373 casos de infeção por SARS-CoV-2 entre 6.824.392 indivíduos com esquema vacinal completo contra a covid-19 há mais de 14 dias (0,4%)”, indica o relatório das “linhas vermelhas” da pandemia da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Segundo o documento, entre as pessoas reinfetadas, mais de 400 foram internadas com diagnóstico principal ou secundário de covid-19, sendo que mais de metade – 59% - tinham mais de 80 anos.

Entre os 29.373 casos de infeção por SARS-CoV-2 em pessoas com esquema vacinal completo contra a covid-19 há mais de 14 dias, registaram-se 309 óbitos por covid-19 (1,1%), dos quais 239 óbitos (77,3%) em pessoas com mais de 80 anos”, referem a DGS e o INSA, que avançam ainda que, entre 01 e 30 de junho, os “casos com esquema vacinal completo apresentaram um risco de hospitalização cerca de cinco a dez vezes inferior aos casos não vacinados”.

As “linhas vermelhas” concluem ainda que se regista em Portugal uma tendência estável a decrescente na pressão sobre os serviços de saúde e na mortalidade por covid-19.

O número de pessoas internadas em cuidados intensivos no continente correspondeu a 55% do valor crítico definido de 255 camas ocupadas, inferior aos 49% da semana anterior, com 140 doentes nestas unidades na quarta-feira.

No que se refere aos testes, a proporção de positivos foi de 4% (na semana anterior tinha sido de 4,4%), tendo-se registado uma diminuição do número despistes nos últimos sete dias – 346.320 contra os 369.637 feitos na semana anterior.

Relativamente à incidência de novas infeções, a taxa a 14 dias está nos 294 casos por 100 mil habitantes em Portugal, com uma tendência estável, sendo o grupo etário dos 20 aos 29 anos o que apresenta valores mais elevados, com 695 casos por 100 mil habitantes.

“A mortalidade específica por covid-19 registou um valor de 14,6 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, que corresponde a um decréscimo de 5% relativamente à semana anterior. Este valor é inferior ao limiar de 20 em 14 dias por um milhão de habitantes, definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC)”, refere o relatório.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 17.772 pessoas e foram contabilizados 1.042.144 casos de infeção confirmados, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil ou Peru. 

Redação