Nos últimos dias, de Norte a Sul do país, os portugueses foram surpreendidos por várias “formigas com asas” nas varandas e terraços de casa, ou mesmo no vidro dos carros. Foram muitas as imagens partilhadas nas redes sociais e ainda mais as teorias apresentadas pelos cibernautas para explicar o aglomerado daqueles insetos.

Para perceber afinal que animal é este e de que fenómeno se trata, a TVI24 foi falar com o entomólogo Albano Soares.

São várias espécies de formigas. Há uma mais visível, as Messor, as formigas ceifeiras. Nesta altura do ano são mais visíveis porque são grandes e têm asas. O que está a acontecer é a reprodução da espécie”, disse o especialista em insetos, explicando que com temperaturas ainda agradáveis, a espécie aproveita as primeiras chuvas para acasalar.

“Os machos e as fêmeas férteis têm asas, voam e acasalam. Após o acasalamento, os machos morrem e as formigas que conseguem sobreviver perdem as asas e vão procurar locais apropriados para estabelecer novas colónias”, continuou, lembrando que este fenómeno acontece anualmente no início do outono e também na primavera, devido às condições climatéricas propícias para o acasalamento.

Este ano, as primeiras chuvas de outono atrasaram-se. O que teria acontecido durante cerca de um mês, aconteceu numa semana, o que leva a que seja mais visível”, lembrou Albano Soares, dizendo que este fenómeno é curto (duas ou três semanas), mas massivo.

O entomólogo explicou ainda que esta espécie não é agressiva e também não formará colónias dentro de casa, pelo que as pessoas não precisam de manter as janelas fechadas ou ter receio daqueles insetos. “Contrariamente a outras espécies, não são agressivas. São formigas calmas”, reforçou.

Relativamente aos locais que escolhem para se alojar, o especialista avançou que o processo de acasalamento das formigas Messor também se vê junto às árvores e em grandes parques ou praias, mas que nesses locais passa mais despercebido. “Elas estão noutros locais, nós é que não reparamos. Vemo-las onde sabemos que o local devia estar limpo: as paredes ou as janelas”, disse.

Questionado sobre quais as regiões onde é mais notória a presença destes insetos, Albano disse que o fenómeno é semelhante de Norte a Sul do país, desde que tenha chovido de forma considerável, como ocorreu na última semana.