Um tenente-coronel do Exército, um inspetor da Polícia Judiciária (PJ), um casal de seguranças da PJ, um agente da PSP e um militar da GNR na reserva, estão, entre um total de 24 arguidos, acusados pelo Ministério Público de Sintra de crimes de corrupção porque, em conjunto, funcionavam como angariadores de clientes para um esquema de viciação de inspeções automóveis, em dois centros especializados, em Alfragide e na Amadora. 

No centro do esquema de subornos, segundo o despacho a que a TVI teve acesso, estava o diretor de ambos os centros, que contava com a colaboração dos seus funcionários – inspetores que tinham por missão facilitar nas verificação do estado dos veículos sempre que os clientes estavam dispostos a subornar os centros de inspeção.

Em causa, um negócio paralelo que colocava em causa a segurança rodoviária, que pelo menos ao longo dos anos de 2015 e 2016 rendeu dezenas de milhares de euros aos envolvidos.

Estão agora acusados de crimes que vão da corrupção ao tráfico de influência, passando pelo abuso de poder, peculato, acesso ilegítimo e posse de arma proibida. A acusação, com 150 páginas, diz respeito ao processo que deu origem à operação Roda Viva, em junho de 2016, que envolveu 200 inspetores da PJ e em que foram detidas 20 pessoas. 

A procuradora Felismina Carvalho Franco fechou o inquérito cinco anos depois, com dezenas de atos de corrupção descritos na acusação. A investigação passou pela Unidade de Combate à Corrupção da PJ e contou com perícias financeiras às contas bancárias dos visados – que revelaram todos os proveitos obtidos.

Henrique Machado