O Instituto Ricardo Jorge conta ter nos próximos dias resultados da investigação que está a efetuar para determinar se a nova variante do SARS-Cov-2 detetada no Reino Unido está a circular em Portugal continental.

Dentro de alguns dias teremos novidades”, disse esta terça-feira o investigador João Paulo Gomes, durante a conferência de imprensa destinada a atualizar a informação relacionada com a pandemia de covid-19 em Portugal.

A variante genética do SARS-Cov-2 que está a preocupar as autoridades de saúde foi identificada no Reino Unido, em finais de setembro, e apresenta mutações com maior agressividade na capacidade de infeção.

Os vários países começaram “à procura” desta variante e em Portugal os primeiros casos associados foram identificados na Madeira.

“Foi possível identificar 18 casos, associados a esta variante do Reino Unido”, recordou o investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que coordena o estudo de variabilidade genética do SARS-Cov-2.

João Paulo Gomes negou desta forma que existam casos relacionados com a nova estirpe a circular em Portugal Continental, nomeadamente em Lisboa e Vale do Tejo, de onde uma das 18 pessoas infetadas com a nova variante chegou à Madeira.

Neste momento passamos para uma segunda fase. Isto tudo no âmbito de um megaestudo de sequenciação genómica do vírus do SARS-Cov-2, liderado pelo Instituto Ricardo Jorge e com uma colaboração muito intensa do Instituto Gulbenkian de Ciência, no qual já nos foi possível sequenciar mais de 2.200 vírus”, disse.

Os investigadores estão agora a focar-se na deteção da nova variante e a seguir duas pistas, uma delas relacionada com o historial de viagem ao Reino Unido.

O Instituto Ricardo Jorge está a contactar os laboratórios onde os diagnósticos foram efetuados, para que seja enviada essa amostra.

A segunda pista prende-se com o facto de se ter constatado que alguns testes utilizados para o diagnóstico da covid-19 - e que se baseiam em várias regiões do vírus - “por vezes falham uma dessas regiões”.

É com base nisto que agora estamos a perseguir esta variante no país e a tentar encontrar outras também”, assegurou o investigador.

“Estamos, neste momento, já a receber amostras de todo o país, muitas amostras do aeroporto de Lisboa e aeroporto do Porto”, indicou.

“Os laboratórios têm dado uma resposta muito positiva às solicitações para o envio das amostras que cumpram estes critérios e posso dizer também que alguns destes laboratórios, sem terem sido contactados, contactaram o Instituto Ricardo Jorge, a dizer que tinham amostras suspeitas”, referiu.

Iniciámos já a segunda fase de pesquisa e dentro de uns dias podemos fazer uma atualização sobre o facto de esta variante estar já a circular ou não no continente, pois na Madeira já sabemos que está. Dentro de alguns dias teremos novidades”, assegurou.

João Paulo Gomes advertiu que se trata de “um trabalho contínuo”, que não vai ficar por aqui.

Seguindo também as recomendações da Organização Mundial de Saúde de ontem [segunda-feira] vamos intensificar os trabalhos de vigilância. Só assim podemos identificar variantes genéticas que tal como esta têm um potencial de transmissão muito maior do que o normal e esperemos que não tenham outro tipo de potencial em termos de agressividade e que nos surpreendam negativamente”, declarou.

/ AG