Em tribunal estão a ser julgados vários militares do Curso 127, dos Comandos. Em causa as mortes de Dylan da Silva e Hugo Abreu, em 2016, ambos com 20 anos, durante a denominada "Prova Zero" (primeira prova do curso de Comandos), que decorreu na região de Alcochete, distrito de Setúbal, a 4 de setembro de 2016.

No mesmo dia, outros instruendos sofreram lesões graves e tiveram de ser internados.

Mas existem agora novos relatos referentes a um curso que ocorreu em 2014, num processo à parte, e que dão conta de abusos por parte dos militares a recrutas. Foi precisamente com uma dessas vítimas que a TVI falou.

Eduany Araújo conta que um dos sargentos lhe deu um soco no nariz por estar "demasiado à frente" na fila de formação, mas que as agressões continuaram.

Como estava a escorrer demasiado sangue, outra pessoa chegou e espetou-me areia no nariz para estancar", referiu.

Apesar de ter regressado ao posto previsto, o jovem continuou a ser alvo de agressões: "Quando ia a sair do charco escorrego, e o tenente do tiro deu-me uma chapada. Apercebeu-se que foi com muita força, e eu fiquei com um zumbido no ouvido".

Das agressões relatadas, ficam as sequelas: Eduany Araújo tem dificuldades nos tímpanos, teve a cana do nariz partida e algumas dificuldades em respirar.

O jovem conta que outros colegas foram agredidos pelos militares.

No processo que julga este caso, o Ministério Público entende que os militares suspeitos atuaram com pressupostos sádicos. O julgamento pode começar ainda este ano.

Luís Varela de Almeida