Estávamos na passada segunda-feira, quando Paula Rodrigues, que está infetada com covid-19, deu entrada no serviço de urgência do Hospital de Vila Franca de Xira. 

A doente, que estava com falta de ar, foi transportada por uma ambulância até à unidade hospitalar, onde viria a permanecer, num cadeirão, até esta quinta-feira. 

Paula não teve direito a uma cama, e por isso dormiu, recebeu oxigénio, fez as refeições e tomou a medicação, num cadeirão durante quatro dias consecutivos. 

Lúcio João, marido de Paula, conta que a mulher de 46 anos descreve um cenário de horror, em que vê constantemente macas com cadáveres, pessoas a vomitar, e o som da tosse a ecoar ao seu redor é uma constante.

O hospital justifica o tratamento dado a Paula, com o facto de ter 12 doentes com alta hospitalar, mas sem familiares para os acolher. 

Além disso, a unidade hospitalar tem em internamento 219 doentes com covid-19, confirmando-se assim, o estado de rutura. 

Após o contacto da TVI, o Hospital de Vila Franca de Xira transferiu Paula, em 30 minutos, para o serviço de enfermaria, onde já tem uma cama. 

Preocupado com as consequências físicas que a covid-19 pode ter na saúde de Paula, Lúcio teme também pela saúde psicológica da mulher, dada a "violência" a que foi exposta nos últimos dias, e afirma "sinto uma revolta grande, só tenho vontade de chorar. Ela mandou-me uma mensagem a dizer para cuidar do nosso filho, porque ia morrer no hospital".