Entre as 15 pessoas internadas com covid-19 nos Açores, há apenas uma com mais de 80 anos, avançou esta quarta-feira o diretor regional da Saúde, destacando a importância da vacinação.

Neste momento, na Região Autónoma dos Açores, só está internada uma pessoa com mais de 80 anos. É um sinal que nos parece evidente da importância da vacinação”, afirmou o diretor regional da Saúde e responsável máximo pela Autoridade de Saúde Regional dos Açores, Berto Cabral, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

Os Açores têm atualmente 343 casos ativos de infeção pelo novo coronavírus que provoca a doença covid-19, dos quais 340 em São Miguel, dois na ilha Terceira e um nas Flores.

No Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada estão internadas 15 pessoas, das quais sete em unidade de cuidados intensivos.

Segundo Berto Cabral, já foram administradas na região 60.263 doses de vacinas contra a covid-19 a 40.615 pessoas, das quais 19.648 com duas doses.

Nos concelhos com mais casos neste momento, em termos relativos, Vila Franca do Campo e Nordeste, a população com mais de 75 anos que aceitou ser vacinada já tem o seu processo concluído”, frisou.

“A vacinação é, de facto, a forma que temos de controlar os efeitos graves das infeções por este vírus”, acrescentou.

Questionado sobre reivindicações de reforço de vacinação na ilha de São Miguel, tendo em conta que é a que apresenta mais casos de infeção, Berto Cabral disse que a região tem de cumprir o plano, mas garantiu que a administração de vacinas naquela ilha “não está atrasada”.

Quando se pôs a questão de Rabo de Peixe, havia quem defendesse a vacinação prioritária de Rabo de Peixe, agora é a ilha de São Miguel toda. Isto exige um plano. Não podemos estar a dirigir as vacinas para cada sítio que tem um surto maior”, frisou.

O diretor regional da Saúde disse que a maior necessidade de testagem e investigação epidemiológica naquela ilha tem ocupado mais enfermeiros, mas adiantou que está a ser preparado um diploma que irá permitir afetar mais recursos humanos à vacinação.

“Não faltam vacinas na ilha de São Miguel. A distribuição tem sido feita de uma forma equitativa”, reforçou.

Berto Cabral reiterou que, com as vacinas que a região prevê receber em abril, deverá ser possível concluir a primeira fase do plano de vacinação com, “pelo menos, uma dose” até ao final do mês.

Quanto à segunda fase, mantém-se para já como prevista inicialmente, mas o executivo açoriano irá “alinhar com o plano nacional” se forem feitas alterações “no que diz respeito a questões técnicas”.

O diretor regional da Saúde disse que, em algumas ilhas, foram administradas doses da vacina da AstraZeneca a maiores de 60 anos sem patologias associadas, tendo em conta que as orientações para a toma destas vacinas se alteraram, numa altura em que a primeira fase de vacinação já tinha sido concluída nessas ilhas.

De forma a evitar que andassem a enviar vacinar para outras ilhas, foi dada orientação às unidades de saúde de ilha que se encontrasse nessa situação que poderiam vacinar todas as pessoas com mais de 60 anos independentemente de terem patologias, priorizando aqueles que tinham patologias prioritárias”, justificou.

Segundo Berto Cabral, os Açores só preveem receber as primeiras doses de vacinas da Janssen “no início de maio”, mas trarão “claros ganhos em termos logísticos”, já que são de uma só dose e não exigiam temperaturas muito baixas de conservação.

“Esperemos que tenha os critérios de segurança e que chegue à região e seja um contributo importante para prosseguirmos o processo de vacinação”, afirmou.

Portugal recebeu hoje as primeiras 31.200 doses da vacina da Janssen contra a covid-19, que ficarão armazenadas até haver uma decisão do regulador europeu sobre a sua utilização, na sequência da suspensão preventiva da sua administração nos Estados Unidos.

Desde o início da pandemia foram diagnosticados na região 4.549 casos, tendo ocorrido 4.065 recuperações e 30 óbitos.

/ MJC