A Ordem dos Médicos decidiu que o Hospital Santa Maria, em Lisboa, fica impedido de formar internos na especialidade de otorrinolaringologia, segundo confirmou à Lusa o presidente do colégio de especialidade.

Artur Condé disse que, “até nova avaliação”, está suspensa a idoneidade para formar novos internos de otorrino no Santa Maria, por não estarem reunidas as condições exigíveis.

A notícia foi avançada esta terça-feira pelo Diário de Notícias, que teve acesso a um despacho da Ordem dos Médicos que indica que dentro de 12 meses será realizada uma nova avaliação.

Em julho do ano passado, o bastonário da Ordem dos Médicos tinha realizado uma visita ao serviço de otorrinolaringologia do hospital, concluindo que os internos estavam a dar consultas sozinhos, incluindo os que estavam no início do internato.

Os internos têm consultas em nome deles que aparentemente asseguram sozinhos desde que entram em otorrinolaringologia", afirmou na altura o bastonário Miguel Guimarães à agência Lusa.

O serviço de otorrino do Santa Maria tem estado envolvido em polémica desde que, em 2016, foi nomeado Leonel Luís como diretor de serviço.

Em finais do ano passado, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul apresentou uma denúncia no Ministério Público e autoridades de saúde contra o diretor do serviço de otorrinolaringologia, que acusa de irregularidades e perseguição.

Já este ano, o diretor do serviço entregou no Ministério Público uma queixa crime por difamação e denúncia caluniosa contra a direção do Sindicato dos Médicos da Zona Sul e contra cinco colegas otorrinolaringologistas.

Na queixa, a que a agência Lusa teve acesso, o diretor do serviço, Leonel Luís, considera que a direção do Sindicato dos Médicos da Zona Sul divulgou vários comunicados que “representam um atentado” ao seu bom nome, à sua honra e à sua imagem e credibilidade.

Em causa está o que o médico considera ser uma campanha difamatória do sindicato, que considerou ilícita a sua nomeação e deu a entender que o diretor do serviço foi nomeado “por ajuste direto”, sem ter qualificações suficientes e aludindo a “mecanismos clientelares e comissariado político” nalgumas situações no serviço de otorrino.

Santa Maria estranha suspensão 

O administrador do Centro Hospitalar de Lisboa Norte solicitou esta terça-feira à Ordem dos Médicos informação sobre a suspensão da formação de internos em otorrinolaringologia, estranhando que uma audição da mesma Ordem não tenha ido nesse sentido.

Numa carta enviada ao bastonário da Ordem dos Médicos, o administrador Carlos Martins e a diretora clínica Margarida Lucas manifestam a sua “surpresa” por saberem da decisão do impedimento da formação de internos na especialidade de otorrinolaringologia através do Diário de Notícias.

Bloco quer explicações

À tarde, o Bloco de Esquerda (BE) solicitou o relatório da Ordem dos Médicos que levou à perda de idoneidade formativa do serviço de otorrinolaringologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e questionou o Ministério da Saúde sobre esta situação.

O BE quer também saber se o Governo tem conhecimento da situação exposta e “quais os motivos que levaram à retirada de idoneidade formativa ao serviço de otorrinolaringologia do Hospital de Santa Maria”.

O BE questionou ainda o Ministério da Saúde sobre que “medidas de acompanhamento têm sido implementadas pelo conselho de administração do CHLN junto do serviço de otorrinolaringologia do Hospital de Santa Maria, perante as denúncias que têm vindo a surgir”.

Os bloquistas questionam o conselho de administração relativamente à manutenção de confiança no atual diretor do serviço de otorrinolaringologia.

Para o Bloco, “é essencial que o serviço de otorrinolaringologia se pacifique, algo que inquestionavelmente beneficiará os profissionais que aí trabalham bem como os utentes”.

/ AR - Atualizada às 17:08