Terminado o primeiro interrogatório judicial, os 17 elementos do grupo Hells Angels detidos, na terça-feira, por suspeitas de associação criminosavão ficar em liberdade. Desta vez, o Ministério Público não promoveu nenhuma medida privativa de liberdade perante a juíza de instrução criminal, Maria Antónia Andrade. 

Assim, foram aplicadas quatro medidas de coação: apresentações mensais no Órgão de Polícia Criminal da área de residência; proibição de contacto entre os co-arguidos e os demais membros dos Hells Angels; proibição de frequentar determinados locais, como concentrações motards; e proibição de deslocação para o estrangeiro com respectiva entrega dos passaportes.

Os 17 elementos do grupo Hells Angels foram identificados pelo tribunal, na quarta-feira, e até à madrugada desta quinta-feira estiveram em fase de interrogatório no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Na terça-feira, a PJ adiantou que os 17 detidos são homens com idades entre os 29 e os 52 anos e que a operação realizada se insere no mesmo inquérito à ordem do qual se encontram, em prisão preventiva, 41 arguidos, desde julho de 2018.

Foram executadas dezenas de buscas domiciliárias e não domiciliárias e cumpridos mandados de detenção envolvendo a participação de 150 operacionais de várias Unidades da PJ.

Em março do ano passado, cerca de 20 motards do grupo Hells Angels invadiram um restaurante no Prior Velho, concelho de Loures, distrito de Lisboa, para atacar o grupo 'Red&Gold', criado pelo radical de extrema direita Mário Machado. Os dois grupos rivais entraram em confrontos dentro do estabelecimento comercial, com facas, paus, barras de ferro e outros objetos.

Este episódio de violência levou a PJ a deter os primeiros 58 elementos do grupo de motociclistas Hells Angels em Portugal (a que se somou um outro na Alemanha).

Em março deste ano, o Tribunal da Relação de Lisboa manteve em prisão preventiva mais seis elementos do grupo, depois de em fevereiro ter decidido manter a medida de coação mais gravosa a 23 dos outros arguidos.

Os suspeitos estão indiciados, na sua generalidade, da prática de associação criminosa, homicídio qualificado na forma tentada, roubo, ofensas à integridade física graves, ofensas à integridade física qualificadas, detenção de armas proibidas e tráfico de droga.

O grupo Hells Angels existe em Portugal desde 2002 e, desde então, tem sido monitorizado pela polícia.