Foi considerado, há três anos, o melhor hospital público na sua categoria. Integra a elite dos hospitais mais tecnológicos do mundo e conquistou o certificado de excelência na segurança com os doentes.

Falamos do Hospital de Cascais. Um hospital público, gerido pelo grupo privado Lusíadas Saúde, que acumula prémios e distinções.

Foi neste estabelecimento que, a 14 de outurbro do ano passado, Dídia morreu aos 44 anos. Em agonia, sozinha e com um filho com 19 semanas dentro de si. Apesar de estar referenciada como grávida de risco, e apesar do hospital conhecer o historial de sucessivos abortos de Dídia, a primeira consulta só foi marcada dois meses e meio depois dessa referência por parte do Centro de Saúde. 

Depois dessa consulta já tardia, foi marcada uma amiocentese que acabou por confirmar o pior.

Foi também neste hospital modelo que José Baptista, advogado e professor universitário, deu entrada nas urgências queixando-se de falta de apetite e um forte cansaço. Entrou pelo próprio pé, mas saiu numa cadeira de rodas, devido a uma falha inexplicável. Um lapso, diz o hospital, que lhe deu uma transfusão que não precisava, com um tipo de sangue que não era compatível.

Dois casos em que tudo falhou e que põem em causa a credibilidade de um sistema que afinal pode não funcionar.