A farmacêutica norte-americana Pfizer, com sede em Nova Iorque, descobriu que tinha um potente anti-inflamatório para o tratamento de artrite reumática, que podia reduzir o risco de Alzheimer em mais de 60%. No entanto, para além de ter optado por colocar um ponto final na investigação, ainda decidiu esconder os resultados conseguidos. A razão? Os custos elevados que isso envolveria.

Em 2015, depois da equipa de investigadores da Pfizer analisar centenas de milhares de reclamações de seguros, descobriu que o Enbrel, um anti-inflamatório líder em vendas para o tratamento de artrite reumática, poderia reduzir o risco de Alzheimer até 64%. Uma revelação feita pelo The Washignton Post que teve acesso a documentos internos da empresa.

Todavia, há sempre um senão. Neste caso concreto, foi o custo elevado que envolveria a realização de testes clínicos que verificassem os efeitos secundários do medicamento. Um entrave que obrigou a empresa a debater o assunto internamente e decidir não continuar com a investigação e não divulgar os resultados da mesma.

O Enbrel poderia potencialmente prevenir, tratar e retardar a progressão do Alzheimer”, estava escrito num PowerPoint, preparado pelos investigadores, para ser apresentado num comité interno da empresa em fevereiro do ano passado. Estes especialistas, que pertenciam ao departamento de doenças inflamatórias e imunologia, pediram à Pfizer que fizessem uma ensaio clínico, que abrangesse milhares de doentes, e que implicaria um custo de cerca de 71,2 milhões de euros.

 

Mas, ao que a multinacional norte-americana explicou, ao final de três anos de estudos, a empresa recuou e entendeu que não existiam indícios, ou provas, suficientes que comprovassem que o Enbrel podia prevenir o Alzheimer, uma vez que o medicamente não atuava diretamente o tecido cerebral. Ed Harnaga, porta-voz da empresa, esclareceu que a decisão de pôr um fim à investigação foi única e exclusivamente científica.

Por essa mesma razão, há quem defenda que a empresa deveria ter publicado os dados recolhidos até então, para que outros investigadores pudessem ter acesso.

Um caso que acaba por ser inédito porque, normalmente, o que acontece é o contrário. Ou seja, as farmacêuticas costumam ser criticadas quando não revelam as consequências ou efeitos negativos dos seus produtos. Neste caso, o cenário é exatamente o oposto. A Pfizer está a ser alvo de críticas por ter um produto que pode ter efeitos positivos, mas não os quer revelar.

O Alzheimer, geralmente caracterizado pela perda de memória, raciocínio e comportamento. Uma doença que, atualmente, não tem cura e que arrecada por ano milhares de novos doentes.