O inquérito ao acidente ocorrido na segunda-feira à noite na Estação de Alfarelos/Granja do Ulmeiro, no concelho de Soure, concluiu que a colisão entre os dois comboios foi motivada por falta de aderência entre as rodas e o carril.

Essa falta de aderência originou deslizamentos de ambos os comboios, que contribuíram para a não imobilização dos mesmos antes do sinal de entrada da Estação de Alfarelos, refere o documento citado pela Agência Lusa.

O embate de um comboio intercidades na retaguarda de um regional, parado à entrada da estação de Alfarelos/Granja do Ulmeiro, na segunda-feira, pelas 21:15, provocou 21 feridos ligeiros.

«De momento, pelos depoimentos obtidos e dados já apurados, não há indícios de falha humana», afirmam os responsáveis pela investigação.

A Comissão de Inquérito considera também que o comportamento do sistema de sinalização foi o adequado, «transmitindo aos comboios envolvidos no acidente o objetivo de paragem ao sinal de entrada da estação de Alfarelos».

«As informações recolhidas pelos comboios dos pontos de informação CONVEL (sistema de controlo automático de velocidade, partilhado entre os operadores e a REFER) correspondem à sequência de aspetos apresentada pelos sinais» e as «distâncias de frenagem de ambos os comboios foram superiores ao esperado nomeadamente face ao modelo teórico da curva de frenagem», acrescenta.

Nas conclusões preliminares do inquérito ordenado pelo Governo à REFER e à CP para apuramento das causas da colisão, lê-se também que as atuações de frenagem de emergência despoletadas pelo sistema CONVEL ocorreram tardiamente.

«Como reforço das condições de segurança, e tendo em conta que se conclui ter havido falta de aderência roda/carril e atuação tardia das frenagens de emergência despoletadas pelo sistema CONVEL, cujas causas não foi possível nesta fase apurar», a Comissão de Inquérito recomenda a «imposição duma restrição de velocidade de 30 quilómetros/hora à aproximação dos sinais S1 e SC1 da Estação de Alfarelos».

«Pelos mesmos motivos, recomenda-se a realização de um ensaio de linha com um comboio constituído por uma locomotiva e composição idênticas às do comboio intercidades n.º 529, simulando condições de circulação semelhantes em termos de velocidade e locais de aplicação do freio», acrescenta.

Os responsáveis pela averiguação das causas do acidente sugerem que o ensaio deve ser realizado em condições atmosféricas próximas das verificadas aquando da ocorrência do acidente, ou seja, à noite, com carris molhados e previamente à abertura da via ascendente à exploração comercial.
Redação