O diário da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia está a partir de agora registado na Memória do Mundo. O registo faz parte da lista de documentos de todo o mundo que e preciso guardar no baú da História para evitar, usando as palavras da UNESCO, para evitar a «amnésia coletiva».

O «Diário da Índia» foi um dos 54 novos documentos inscritos no Registo da Memória do Mundo, conforme anunciado esta terça-feira pela diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova.

Datado de 1497, o roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia é atribuída a Álvaro Velho, que terá nascido no Barreiro em data incerta e participou como marinheiro ou soldado na expedição do descobridor português. O diário retrata a viagem entre 1497-99.

«Em nome de Deus, Amém. Na era de 1497 mandou el-rei D. Manuel, o primeiro deste nome em Portugal. a descobrir, quatro navios, os quais iam em busca de especiarias, dos quais navios ia por capitão-mor Vasco da Gama, e dos outros: dum deles Paulo da Gama, seu irmão, e do outro Nicolau Coelho.

«Partimos do Restelo um sábado, que eram oito dias do mês de Julho da dita era de 1497, nosso caminho, que Deus Nosso Senhor deixe acabar em seu serviço. Amém»

«Houvemos vista de uma terra baixa e que tinha uma grande baía. O Capitão-mor mandou Pêro de Alenquer no batel, a sondar se achava bom pouso, pelo qual a achou muito boa e limpa e abrigada de todos os ventos, somente de nordeste. E ela jaz leste-oeste, à qual puseram nome Santa Helena»


Excertos do «Roteiro da Índia», recolhido pela Universidade do Minho. O documento é propriedade da Biblioteca Municipal do Porto e qua pode ser visto online aqui .

O comité que optou pela escolha deste relato dos descobrimentos portugueses entre as 84 candidaturas, foi o mesmo que escolheu o legado do arquiteto Oscar Niemeyer apresentados pelo Brasil, ou a vida e as obras de Che Guevara, dos manuscritos originais de sua adolescência e juventude até seu Diário de campanha na Bolívia, numa candidatura de Bolívia e Cuba. Do lote também consta a coleção de testemunhos de vítimas do Holocausto conservada em Yad Vashem de Jerusalém, apresentada por Israel, a primeira inscrição deste país.

O Registo da Memória do Mundo inclui «um total de 299 documentos e coleções de documentos dos cinco continentes, salvaguardados em vários suportes, que vão desde uma pedra a um celuloide, de uma pergaminho a gravações de áudio», pode ler-se na página da Unesco.
Redação / CF