Nuno Camarneiro, que venceu, esta segunda-feira, o Prémio LeYa 2012 com «Debaixo de algum céu», admitiu à agência Lusa que um dos fatores que o fez concorrer ao prémio foi elevado valor monetário: cem mil euros.

Aos 35 anos, o escritor, licenciado em Engenharia Física e investigador na área da Química na Universidade de Aveiro, explicou que decidiu concorrer por causa da «qualidade do júri e pelo valor monetário», e porque um dia sonhou que poderia ganhar o prémio literário.

A história de «Debaixo de algum céu», que será editada na Primavera de 2013 pelo grupo LeYa, passa-se dentro de um prédio, «numa espécie de purgatório suspenso no tempo», explicou. Nesse espaço, «um ambiente fechado», habitam personagens «que expiam as suas culpas», explicou o autor, que disse inspirar-se um pouco em «La vie mode d'emploi», de Georges Perec.

Nuno Camarneiro estreou-se em 2010 com o romance «No meu peito não cabem pássaros».

Segundo o presidente do jurí, Manuel Alegre, o romance vencedor do Prémio LeYa, «Debaixo de algum céu» destacou-se pelo «domínio e a segurança da escrita». Alegre disse que é o «retrato de uma microssociedade unida pelo espaço em que vivem as personagens».

«O romance organiza-se a partir de um conjunto de vozes que dão conta de vidas e destinos que o acaso cruzou num período de tempo delimitado entre um Natal e um Fim de Ano», afirmou Manuel Alegre.

O júri salientou «a coerência com que é seguido o projeto, a força no desenho dos personagens e destaca a humanidade subjacente ao que poderá ser lido como uma alegoria do mundo contemporâneo».

«O júri apreciou no romance ¿Debaixo de algum céu» a qualidade literária com que, delimitando intensivamente a figura fulcral do romance de espaço e do romance urbano, faz de um prédio de apartamentos à beira mar o tecido conjuntivo da vida quotidiana de várias personagens ¿ saídas da gente comum da nossa atualidade, mas também por isso carregadas de potencial significativo», disse Alegre.

Ao Prémio LeYa concorreram este ano 270 originais de autores residentes em Angola, Brasil, Canadá, França, Inglaterra, Moçambique e Portugal, tendo sete sido finalistas.

Manuel Alegre sublinhou a «subida de qualidade» relativamente aos anos anteriores, tendo afirma do que a escolha do premiado, por maioria, suscitou «um diálogo enriquecedor», entre os jurados.
Redação