As doenças sexualmente transmissíveis têm aumentado em Portugal, nomeadamente a sífilis congénita e a gonorreia, segundo fontes do sector da Saúde, noticia a Lusa.

De acordo com os dados da DGS sobre doenças de declaração obrigatória, a sífilis recente (detectada pouco tempo depois da contaminação) diminuiu de 127 casos em 2006 para 112 casos em 2007, mas a médica especialista Jacinta Azevedo considera que estes números não correspondem à realidade, por não serem notificados todos os casos.

Por outro lado, a sífilis congénita (adquirida ainda no útero) registou um aumento de 14 casos em 2006 para 21 em 2007, afectando sobretudo bebés do sexo feminino. Também a gonorreia aumentou de 55 casos em 2006 para 74 casos em 2007, indica a DGS.

Jacinta Azevedo, médica que faz consultas de doenças sexualmente transmissíveis (DST) no Centro de Saúde da Lapa, Lisboa, afirmou à Agência Lusa que «as notificações não são cumpridas» e que, «mesmo que os números oficiais não indiquem, os casos de sífilis recente aumentaram em Portugal», tal como tem vindo a acontecer noutros países ocidentais.

Portugueses esquecem DST

«As pessoas pensaram que a batalha estava ganha, distraíram-se e os rastreios pararam», lamentou a médica, acrescentando que em Portugal, ao contrário dos outros países, as DST estão separadas do HIV, levando as pessoas a «esquecerem-se» das outras doenças transmitidas sexualmente.

Jacinta Azevedo frisou que é «importante fazer o diagnóstico não só do VIH/Sida, como também das outras doenças sexualmente transmissíveis», pois quando uma pessoa corre riscos, não está apenas sujeita a ficar infectada com VIH.

«Infelizmente, os portugueses ainda não interiorizaram que é preciso haver protecção nas relações sexuais ocasionais», disse à agência Lusa, por sua vez, o presidente do Colégio de Especialidade Ginecologia/Obstetrícia da Ordem dos Médicos, Luís Graça.

O presidente daquela entidade referiu que, apesar de toda a informação existente sobre o assunto, «os portugueses não tomam os devidos cuidados», sendo Portugal o país da Europa que usa menos o preservativo.
Redação / CLC