Os trabalhadores da Infraestruturas de Portugal (IP) cumprem esta quarta-feira um dia de greve, depois de não terem chegado a acordo com o Governo, numa reunião que teve lugar na terça-feira. Os sindicatos exigem que a administração da empresa e o Governo concretizem o acordo coletivo de trabalho e cheguem a acordo sobre um regulamento de carreiras.

A greve decorre com serviços mínimos decretados pelo tribunal arbitral, mas a CP alerta para a possibilidade de fortes perturbações na circulação. Há previsão de "supressões de comboios a nível nacional em todos os serviços". Não há transportes alternativos e alguns serviços mínimos têm que ver com o transporte de algumas mercadorias.

Na terça-feira foi feita uma última tentativa para evitar a paralisação. A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) e o Ministério do Planeamento e Infraestruturas estiveram reunidos, mas não chegaram a acordo.

Não houve acordo. É um processo que vai levar algum tempo. Houve muito pouca evolução”, afirmava, no termo da reunião com o Governo, o coordenador da Fectrans, José Manuel Oliveira, em declarações citadas pela agência Lusa. As estruturas sindicais reclamam “respostas às propostas sindicais tanto da parte da empresa como do Governo”, acentuou o mesmo dirigente da Fectrans, que acusa empresa e Governo de quererem “fazer uma negociação sem a valorização salarial e profissional dos trabalhadores”.

O secretário de Estado das infraestruturas lamentou o recurso à greve. O governante disse à Lusa disse que o Governo "fez muitas cedências" e que manifestou "sempre vontade de negociar", apontando responsabilidades pela ausência de acordo aos sindicatos.

Só posso lamentar a situação de rutura a que os sindicatos nos conduziram e que vai ter reflexo na greve, que vai prejudicar os cidadãos e a circulação dos passageiros que utilizam o meio ferroviário”, afirmou o governante. “O facto é que já houve resultados definitivos do processo negocial, basta falar na reposição de direitos adquiridos dos trabalhadores. Entre 2017, 2018 e já incluindo 2019 estamos a falar de um impacto de 33 milhões de euros”, reforçou.

Ainda segundo Oliveira Martins, no início deste ano “foi negociado um subsídio intercalar que confere a cada trabalhador da IP 23 euros por mês”.

"Em 2018 este valor totaliza 800 mil euros e em 2019 totaliza 1,2 milhões de euros, já no quadro de negociação do acordo de empresa. Por cima disto, o governo e a IP estavam dispostos a dar mais. Para além dos 1,2 milhões, estávamos dispostos a fazer um esforço adicional de 1,4 milhões de euros, com um total de esforço adicional de 2,6 milhões de euros, mais 360 mil euros para isenção de horário de trabalho”, insistiu.