A ONU tem vindo a alertar para as consequências das elevadas emissões de carbono e o mais recente relatório não deixa margem para dúvidas: já estamos a sentir os efeitos das alterações climáticas e as projeções não são animadoras.

Mas como se traduzem as alterações climáticas em termos práticos? O Programa de Aumento do Nível do Mar da Climate Central mostra o que vai estar submerso em Portugal em 2050, se as emissões de carbono continuarem ao ritmo atual.

Cidades como Aveiro e Figueira da Foz poderão estar ameaçadas já nos próximos trinta anos. Regiões como o Estuário do Tejo e o Estuário do Sado também poderão sofrer grandes alterações, com o caudal dos rios a apoderar-se de áreas significativas para a produção agrícola, por exemplo.

Já a sul do país, a subida do nível médio do mar e a intensificação de tempestades, potenciadas pelas alterações climáticas, põem em risco as ilhas barreira da Ria Formosa como o Farol e a praia de Faro. 

Ao longo do território continental, lugares emblemáticos como o Padrão dos Descobrimentos, em Belém, e as Caves do vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia, ver-se-ão ameaçados pela subida das águas.

Recorde-se que o relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) aponta o Mediterrâneo, incluindo Portugal, como uma das regiões mais vulneráveis do mundo às alterações climáticas.

A nível global, mesmo que se atinja a neutralidade das emissões de carbono, o nível de água do mar continuará a aumentar, irremediavelmente, entre 28 e 55 centímetros até finais do século (em relação aos níveis atuais). Se as atuais emissões duplicarem, a subida pode chegar aos 1,8 metros.

A longo prazo, o nível de água do mar subirá entre dois e três metros nos próximos dois mil anos, se o aquecimento global se mantiver nos 1,5 graus fixados no Acordo de Paris, mas pode ultrapassar os 20 metros com uma subida de 5 graus, por exemplo.

O nível do mar subiu, em média, 20 centímetros entre 1901 e 2018, mas se subiu 1,3 milímetros anualmente nas primeiras sete décadas do século XX, agora está a subir 3,7 milímetros, alerta o relatório.

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Os mapas de aumento do nível do mar do Climate Central são baseados em estudos científicos e em conjuntos de dados a uma escala global. As áreas abaixo do nível de água e com um caminho desobstruído para o oceano são sombreadas a vermelho. 

Esta abordagem facilita o mapeamento de qualquer cenário rapidamente e reflete bem as ameaças de um futuro com aumento permanente do nível do mar. No entanto, a precisão destes mapas diminui ao avaliar os riscos de cheias extremas.

Rafaela Laja