O mau tempo deixou esta sexta-feira de manhã um rasto de destruição na cidade de Beja.

Testemunhas no local relatam que ventos "em forma de tornado" varreram o centro da cidade, provocando estragos em viaturas e queda de árvores.

De acordo com o Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), em declarações à TVI24, "houve condições" para existência deste fenómeno meteorológico em Beja, dado a passagem de uma "super célula" - uma tempestade caracterizada por uma forte corrente de ar ascendente combinada com intenso movimento giratório.

O IPMA adianta que há ainda a possibilidade do mesmo fenómeno voltar a registar-se no resto da região Centro-sul, ao longo do dia.

O Comando Distrital de Operações de Socorro de Beja deu conta, cerca das 12:30, de "muitas quedas de árvores e danos sobretudo em viaturas", mas sem conseguir precisar o número de ocorrências. 

Não há registo de feridos.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Beja, Pedro Barahona, explicou à Lusa que a tempestade provocou a queda de "mais de 100 árvores" e de danos em "cerca de 30 a 40 viaturas" e em infraestruturas, como telhados e antenas.

O fenómeno começou na entrada da cidade de Beja junto ao Regimento de Infantaria n.º 3 e passou por várias zonas, como o estacionamento do Parque de Feiras e Exposições e os bairros de Mira Serra, do Pelame e das Saibreiras, disse o comandante.

Treze distritos de Portugal continental estão esta sexta-feira sob aviso amarelo por causa do vento e da chuva que pode ser por vezes forte e acompanhada de trovoada, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Tempestade intensa provocou “danos muito avultados em bens” em Beja

A tempestade intensa que atingiu várias zonas da cidade de Beja provocou danos "muito avultados" em bens, sobretudo em viaturas, devido à queda de árvores, e em habitações, disse à Lusa o presidente do município.

Há danos muito avultados em bens, mas a notícia menos desagradável deste fenómeno é que não houve danos em pessoas, apenas um ferido ligeiro, um aluno que sofreu um corte muito pequeno numa mão", afirmou o presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio.

Segundo o autarca, tratou-se de "um fenómeno meteorológico extremo, de muito curta duração, mas extremamente intenso e violento", que provocou, "nos locais por onde passou, muitos danos e prejuízos", que estão "por apurar".

Há dezenas de viaturas e vários imóveis danificados e a perda patrimonial de muitas árvores que caíram", indicou, referindo que o município "precisa de ter dados mais precisos, que atualmente não tem, para poder fazer um apuramento geral e concreto".

Há um conjunto de acidentados em termos materiais que naturalmente vão reportar os danos sofridos às respetivas companhias de seguros", com as quais "o município terá de se articular para fazer um apuramento geral e mais objetivo dos danos e prejuízos", explicou, sublinhado que "é um trabalho que irá demorar vários dias".

Julgo que a partir da próxima semana estaremos em condições mais capazes de ter um levantamento mais objetivo dos danos e prejuízos", admitiu, frisando que, "para já, numa primeira fase, é absolutamente prioritário responder o mais rápido possível às situações de maior gravidade e devolver a normalidade possível às zonas da cidade e às pessoas afetadas".

Paulo Arsénio disse que já se reuniu com todos os chefes de divisão da câmara e com os Bombeiros Voluntários de Beja, que "estão a coordenar as operações de socorro a nível municipal".

Estamos [câmara e bombeiros] a intervir de forma articulada para podermos responder o melhor e o mais rápido possível às situações de maior gravidade", disse, frisando que, "apesar de haver muitos recursos técnicos e humanos no terreno, a resposta imediata em todos os locais ao mesmo tempo é impossível".

Segundo Paulo Arsénio e o comandante dos Bombeiros Voluntários de Beja, Pedro Barahona, o fenómeno de vento forte e chuva intensa começou por volta das 10:50 na entrada de Beja junto ao Regimento de Infantaria n.º 1 e passou por várias zonas da zona sul/sudeste da cidade, nomeadamente pelo parque de feiras e exposições, pela Escola dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico de Mário Beirão e pelos bairros de Mira Serra, do Pelame e das Saibreiras.

Rafaela Laja / Notícia atualizada às 18:57