O arquipélago da Madeira vai mesmo ser atingido pelas cinzas e pelo dióxido de enxofre provenientes do vulcão Cumbre Vieja, que está em erupção em La Palma desde domingo.

O alerta foi feito, esta quarta-feira, pelo presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Miguel Miranda, na TVI24.

Neste momento, verificou-se a previsão que tínhamos feito, ou seja, enquanto a coluna de fumo foi suficientemente reduzida e com condições de vento dominante do quadrante norte o impacto sobre a Madeira foi muito reduzido. Contudo, à medida que o tempo avança, é normal que uma parte das cinzas penetre em camadas superiores da atmosfera e que venham a ser sentidas no arquipélago da Madeira. É a nossa previsão. De qualquer maneira, terá sempre níveis reduzidos de impacto. (…) [Este cenário deverá ocorrer], provavelmente, a partir da próxima semana”, explica o presidente do IPMA.

 

Miguel Miranda lembra, no entanto, que "a partir do momento que a lava chegue ao mar vai começa a haver outro tipo de situações". 

O especialista realça que "é provável que haja mais emissões gasosas, que têm de ser medidas, e é possível que comece a haver desprendimentos de material rochoso para o mar, que terão de ser monitorizados".

O IPMA acrescenta que tem estado em contacto permanente com a Proteção Civil da Madeira, mas descarta qualquer tipo de alarmismo apesar da "imprevisibilidade" inerente ao fenómeno.

Gosto sempre, nestas alturas, de chamar à atenção que estas situações têm muita imprevisibilidade. A ciência não tem capacidade de saber o que vai acontecer nas horas ou dias seguintes. Portanto, sem criarmos situações de medo generalizado que não servem para nada, temos de, com serenidade, acompanhar dia a dia. Neste momento, tanto Espanha, como Portugal e toda a Europa está a seguir o acontecimento à hora”, clarifica Miguel Miranda.

 

O vulcão ativo nas Canárias já destruiu cerca de 200 habitações e obrigou à retirada de mais de seis mil pessoas.

Nuno Mandeiro